por Marcus Braybrooke
A cooperação Inter-Religiosa é mais urgente do que nunca. O crescimento da violência, algumas vezes encoberta por uma aprovação religiosa, e a terrível miséria na qual muitas pessoas continuam vivendo e morrendo, faz necessário que as pessoas de fé trabalhem juntas por mais justiça e paz no mundo.
Em 1993, o centenário do Parlamento das Religiões do Mundo marcou o ponto de mudança no movimento Inter- Religioso internacional. Em eventos ao redor do mundo, o foco foi no que as religiões poderiam fazer juntas para mudar esse mundo conturbado.
A Declaração "Por Um Ética Global", adotada durante o Parlamento em Chicago, reconheceu que "o mundo está em agonia ... A Paz nos ilude, o planeta está sendo destruído .... vizinhos vivem com medo ... crianças morrem." A Declaração veio para dizer que essa agonia "não precisa existir, porque a base para uma ética global já existe e oferece a possibilidade de uma melhor ordem individual e global."A esperança de que as religiões se juntando podem curar as divisões no mundo já estava presente nas mentes daqueles que participaram do primeiro Parlamento em Chicago, em 1893. Seu presidente, Charles Bonney, disse que o Regra de Ouro deveria ser a base na qual os membros das diferentes religiões poderiam trabalhar juntos. "Só assim" disse ele, "as nações do mundo irão produzir o Espírito da Concórdia e desaprenderão a guerra." Mas o otimismo evolucionário do Ocidente, no fim do século 19, foi rapidamente destruído pela guerra mundial.
No século 20 assistiu-se um derramamento de sangue e preconceito violento jamais imaginado. Por muito dos cem anos entre os Parlamentos, o mundo foi dominado por ideologias ateístas. No mundo religioso vozes estridentes de exclusivismo abafaram as vozes de tolerância e cooperação ouvidas no Parlamento.Dez anos após o centenário do Primeiro Parlamento das Religiões, o trabalho inter-religioso continuou a crescer localmente, nacionalmente e internacionalmente.
Existem inúmeras novas organizações, como a Iniciativa das Religiões Unidas (United Religions Initiative – URI), O Fórum das Três Religiões (Three Faiths Forum) e o Conselho da Paz (Peace Council). Existem atualmente, em torno de quatorze organizações que pertencem a Rede Inter-Religiosa Internacional (International Interfaith Network), que é coordenada pelo Centro Inter-Religioso Internacional em Oxford. O Parlamento de Barcelona será uma grande oportunidade para todas essas organizações – e diversos grupos locais e nacionais – se juntarem e mostrarem ao mundo que elas servem a uma causa comum.
Também muito do valor do Parlamento é simbólico. Num mundo onde religião é regulamente manipulada para justificar a violência, é vital que pessoas de diferentes religiões sejam vistas lado a lado e abandonem o mal uso da religião e todo proselitismo agressivo.Ainda mais significativo do que a mudança das prioridades do trabalho inter-religioso, é a mudança de atitude entre políticos, homens de negócios, economistas e outros líderes da sociedade. Eles agora reconhecem que existe uma dimensão moral e espiritual nos problemas que afligem a sociedade no mundo de hoje.
Quatro temas são priorizados no Parlamento de Barcelona:Melhorar a vida dos refugiadosCancelar a dívida externa de países em desenvolvimentoSuperar a violência, especialmente quando o motivo ou o alvo for religioso.Aumentar o acesso a água potável.Muitas pessoas religiosas ainda não tiveram a visão da cooperação inter-religiosa e muitas outras ainda vêem religião como um problema sem solução. Mas eu acredito e espero que o movimento inter-religioso esteja agora profundamente enraizado em muitas cidades e países, e que no Parlamento de Bacelona haverá foco na real força da opinião popular que anseia por uma nova ordem mundial – na qual a injustiça e a pobreza sejam tratadas, o meio-ambiente respeitado e as nações trabalhem pelo bem de toda a comunidade mundial e não apenas pelos interesses de suas próprias nações. Urgentes como todos esses temas são, o encontro inter-religioso ganha um significado ainda mais profundo. Isto é, um significado através do qual todos nós possamos crescer em nossa própria apreciação do Mistério Divino, como se nós dividíssemos nossa experiência da Realidade Final, tanto no diálogo como na oração e meditação. De fato, nós só teremos coragem de desafiar as forças que destróem e ameaçam a vida em nosso mundo, se nós estivermos profundamente enraizados em nosso espírito.
Somente quando nós sentirmos nosso mais profundo ser em sua unidade com toda a Vida é que nós estaremos inspirados a quebrar as barreiras que separam as pessoas umas das outras, e estaremos determinados a assegurar que todos apreciem a graça do precioso presente de estar vivo.
Dr. Marcus Braybrooke é Presidente do Congresso das Religiões do Mundo (World Congress of Faiths), Patrono do Centro Inter-Religioso Internacional em Oxford (International Interfaith Centre), Co-Fundador do Fórum das Três Religiões e Conciliador da Paz (Three Faiths Forum and a Peace Councilor). Ele também é membro do Comitê de Aconselhamento Internacional do Parlamento das Religiões do Mundo e escreveu mais de 30 livros incluindo "O que podemos aprender do Hinduísmo" ("What Can We Learn from Hinduism"), "O que podemos aprender do Islamismo" ("What Can we Learn from Islam"), "1.000 Orações do Mundo" ("1,000 World Prayers") e "365 Meditações para um Coração e Mundo Pacífico" ("365 Meditations for a Peaceful Heart and a Peaceful World") que acabou de ser publicado.

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