
PARAMAHANSA YOGANANDA
Jesus: um Cristo do Oriente e do Ocidente
Jesus Cristo é um vínculo entre o Oriente e o Ocidente. O grande Mestre se ergue ante meus olhos, dizendo ao Oriente e ao Ocidente: "Uni-los. Meu corpo nasceu no Oriente, porém meu espírito e minha mensagem viajaram ao Ocidente". Tem um significado especial o fato de que Cristo tenha nascido no continente asiático e sido aceito pelos ocidentais como seu Guru; é da vontade divina que o Oriente e o Ocidente se unam, intercambiando seus mais nobres exemplos distintivos. No drama de Deus, o Ocidente estava destinado a dispor do poder material, enquanto que ao Oriente seria dado o poder espiritual, de modo que ambos pudessem cultivar amizade através do intercâmbio de suas qualidades características.
Devido à liberdade espiritual existente no Oriente, é possível à sua gente elevar-se sobre o sofrimento material. No Ocidente, em troca, existe uma grande necessidade deste tipo de liberdade espiritual; os filhos ocidentais do Senhor, mesmo quando mais afortunados tanto física como materialmente, precisam desenvolver-se espiritualmente e receber a iluminação divina do Oriente. E a este último, por outro lado, é indispensável conquistar o desenvolvimento material do Ocidente. É por isso que os filhos orientais de Deus deveriam acolher a ajuda ocidental, mediante a qual ser-lhes-ia possível industrializar a Ásia e capacitar aquele continente a fazer pleno uso de seus próprios recursos. Se combinasse o progressista modo de vida americano com a espiritualidade da Índia, tal combinação seria insuperável. Índia é a caldeira onde se fundem todas as religiões; América é a caldeira onde se fundem todas as nações.
A América alcançou um grande desenvolvimento devido ao seu amor à liberdade e também porque acolheu em suas praias todas as raças, absorvendo o melhor de cada nação. Nenhum outro país se fundou e cresceu sobre a base de tão maravilhosos ideais; jamais deveriam perder-se a liberdade e o excepcional modo de vida que surgiu na América, graças a estes ideais.
Muitos ocidentais crêem que os orientais são materialmente pobres porque dispõem de uma riqueza espiritual; mas não é assim. De outro lado, muitos orientais consideram que os ocidentais são espiritualmente pobres devido à sua riqueza material, o que também é falso. A verdade é que nós, seres humanos, tendemos a nos desenvolver unilateralmente; por isso, é necessário buscar o
equilíbrio adotando o melhor de cada continente. Jesus é um colosso divino que se ergue entre Oriente e Ocidente, estimulando a ambos intercambiar suas melhores qualidades. Podeis vê-lo nesta posição? Assim eu o vejo.
Ele impele o Jesus: um Cristo do Oriente e do Ocidente a crescer espiritualmente e ao Oriente a industrializar-se; pede ao Oriente que aceite os missionários ocidentais da ciência e da indústria e ao Ocidente que aceite os missionários orientais do Espírito. Ao Ocidente diz: "Amai vosso irmãos orientais; eu vim do Oriente". e aos Oriente diz: "Amai vossos irmão ocidentais; eles me receberam e me amaram, a mim, um oriental." Não é este um formoso ideal? Tal enfoque conduziria a uma magnífica unidade.
Cristo não pertence nem ao Oriente nem ao Ocidente; em sua vida se fundem o Este e o Oeste, e ele é propriedade de ambos e do mundo inteiro. É a universalidade de Jesus o que o torna tão atraente. Ele adotou o corpo de um oriental de modo que,ao ser aceito como guru pelos ocidentais, pudesse servir simbolicamente como vínculo entre Oriente e Ocidente. Os ocidentais que consideram que Cristo lhes pertence deveriam lembrar-se que ele era um oriental e, motivados por este fato, deveriam procurar expandir o amor e afinidade que sentem por Jesus, para incluir nestes sentimentos todos os orientais e o mundo inteiro. Deus não tem preferências com respeito a orientais e a ocidentais. Ele ama a todos aqueles que manifestam as divinas qualidades do Espírito. Por que, pois, foi ordenado por Deus que Cristo, um grande salvador da humanidade, viesse do Oriente? Porque Deus desejava demonstrar a superioridade do Espírito sobre a matéria, manifestando-se entre aqueles que se encontravam oprimidos. Não obstante, não é por isso que deveríamos concluir que é necessário ser pobres para nos assemelharmos a Cristo.
Se Jesus houvesse nascido em um país próspero, seria igualmente falso raciocinar que é possível alcançar a Consciência do Cristo através da abundância material, ou que Deus favorece de forma especial aos que são materialmente ricos. O que se necessita é o equilíbrio entre a espiritualidade e o desenvolvimento material.
Os ideais de Cristo coincidem com os das escrituras da Índia. Seus preceitos são análogos aos dos mais elevados ensinamentos védicos, os quais existiam com grande anterioridade à vinda de Jesus. Entretanto, este fato não diminui de forma alguma a grandeza de Cristo; somente demonstra a eterna natureza da verdade e é uma prova do fato de que Cristo encarnou na terra para oferecer ao mundo uma nova expressão do Sanatan Dharma (a religião eterna, os eternos princípios da retitude).
No livro de Gêneses, pode-se apreciar um paralelismo exato com o conceito hindu da gênese do universo, sendo este último um conceito muito mais antigo. Os Dez Mandamentos de Moisés e muitas das lenda, personagens e rituais bíblicos, como também os milagres realizados por Cristo e os mesmo princípios básicos da doutrina cristã, têem todos uma concomitância com a literatura védica da Índia, a qual lhes antecede cronologicamente. As lições de Cristo no Novo Testamento e as de Krishna no Bagavad Gita têem uma correspondência exata.
A verdadeira natureza da Estrela do Oriente
Os paralelismos entre os ensinamentos de Cristo e as doutrinas do yoga-vedanta apóiam fortemente os documentos existentes na Índia, segundo os quais Jesus viveu e estudou ali durante aqueles 15 anos de sua vida sobre os quais nada se sabe; no Novo Testamento não existe nenhuma referência à vida de Cristo entre os 12 e os 30 anos de idade. Contudo, o fato é que ele viajou à Índia com o objetivo de retribuir a visita dos três "sábios do Oriente", que lhe renderam homenagem no momento de seu nascimento. Eles foram guiados até Cristo recém nascido pela divina luz de uma estrela; não era esta uma luz física, mas sim a estrela do onisciente olho espiritual. Este "terceiro olho" situado no interior da frente, ao nível das sobrancelhas, pode ser percebido pelo devoto em meditação profunda.
O olho espiritual é um telescópio metafísico, através do qual é possível olhar para o infinito em todas as direções simultaneamente, e contemplar com uma onipresente visão esférica tudo aquilo que está acontecendo em qualquer ponto da criação. O olho espiritual é mencionado nos ensinamentos da Índia e Jesus também se referiu a ele ao dizer: "A luz do corpo é o olho; se, pois, vosso olho for único, todo vosso corpo estará cheio de luz" (S.Mateus-6:22). Havendo sido assim conduzidos até o presépio de Belém pela luz do olho espiritual, os sábios reconheceram e adoraram o menino Jesus, como a grande alma e encarnação divina que ele era. E posteriormente, durante aquele desconhecido período de sua vida, Jesus retribuiu esta visita. Inclusive no nome e título de Jesus é possível perceber raízes sânscritas dotadas de um som e significado equivalente. As palavras Jesus e Isa (pronuncia-se Isha) são essencialmente idênticas. Is, Isa e Iswara se referem ao Senhor, o Ser Supremo. "Jesus" deriva do equivalente grego do nome Joshua ou Jeshua, que é uma abreviação de Jehoshua, "ajuda de Jeová" ou "Salvador". O título "Cristo" tem também um equivalente na Índia (e talvez tenha sido outorgado a Jesus alí ) na palavra "Krishna", que às vezes se escreve intencionalmente "Cristna" para demonstrar a correlação . "Cristo" e "Krisha" são títulos que indicam divindade e significam que estes dois avatares eram Um com Deus. Enquanto moravam em forma física, suas consciências expressavam a unidade com a Consciência do Cristo (em sânscrito, Kutastha Chaitanya), a Inteligência de Deus, presente em toda a criação. A esta consciência também se chama "o Jesus: um Cristo do Oriente e do Ocidente - 6 único filho de Deus". Porque é a única manifestação perfeita existente na criação do Infinito-Não-Criado. Para compreender o que significa a Consciência do Cristo, considere o contraste entre a sua consciência e a de uma pequena formiga. A consciência de uma formiga se encontra limitada pelo minúsculo tamanho de seu corpo; sua onisciência reside em toda a sua forma física, de dimensões relativamente maiores. Se alguém tocasse qualquer parte de seu corpo, você logo o perceberia.
A criação é o corpo de Deus, e a consciência divina, presente na criação inteira, se denomina Consciência do Cristo. O Senhor está consciente de tudo quanto fazemos dentro de sua forma universal, tal como nós temos consciência de nosso diminuto ser individual. Através da união com a Consciência do Cristo, foi possível a Jesus saber da morte de Lázaro, sem que ninguém o informasse disso. As maravilhas da criação de Deus não podem ser descobertas pelos animais; só aos seres humanos foi dada a capacidade potencial de alcançar a onisciência da unidade com a consciência do Cristo. Pergunto àqueles que não crêem em Deus: "De onde provém a inteligência que se manifesta no homem e no universo inteiro, se não é produzida por alguma "Fábrica" divina oculta atrás do éter?
Semelhantes mistérios induziram Einstein a afirmar que o espaço parece extremamente suspeitoso. O espaço oculta Deus; a Inteligência divina está presente nele, já que do "nada"do espaço provém tudo que existe. Sendo um com esta Inteligência, a qual guia cada átomo da criação, era possível a Jesus materializar sua forma em qualquer lugar que desejasse. E ele assim o conseguia fazer,costumando visitar S.Francisco de Assis todas as noites. Jesus estava consciente não somente de sua forma física microcósmica, mas também de toda a criação como seu corpo macrocósmico; Ele podia afirmar verdadeiramente: "Eu e meu Pai somos um", pois experimentava sua presença em todos os átomos, tal como seu Pai. Foi à onipresente Consciência do Cristo que Jesus se referiu com as seguintes palavras: "Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? Pois bem, nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai". Cristo veio em um momento crítico da história, quando o mundo necessitava desesperadamente de esperança e regeneração espiritual.
Sua mensagem não estava destinada a promover o nascimento de múltiplas seitas, cada uma das quais proclamando que ele lhes pertencia. Ao contrário, a sua uma mensagem universal de unidade foi uma das maiores jamais dadas ao homem. Ele recordou à humanidade a verdade das escrituras: "Sois Deuses", e S. João faz eco à inspiração e ao espírito dos ensinamentos de Cristo, ao dizer: "Porém a quantos o receberam (à Consciência do Cristo, manifestada em Jesus e em toda a criação), a eles deu-lhes o poder de converter - se em filhos de Deus". Houve jamais uma mensagem mais sublime do que esta? Jesus assegurou aos oprimidos, aos brancos e aos negros, aos orientais e aos ocidentais, que todos eram filhos de Deus; qualquer que seja puro de coração, não importa qual seja a sua raça ou cor, pode receber o Senhor.
Tanto o carvão como o diamante se expõem igualmente aos raios do sol, mas o diamante é capaz de refletir a luz que recebe. Da mesma forma, tanto no Oriente como no Ocidente, os que estão dotados de mentalidades diamantinas refletem Deus e serão chamados os filhos de Deus, enquanto que os que mantém em si a escuridão das más qualidades são incapazes de refletir a divina luz. Cultivai em vossos corações o sentimento da fraternidade humana A humanidade inteira deveria abrir seu coração a esta mensagem de Jesus:"Deus fez de um só sangue a todas as nações dos homens (Atos 17.26)".
Dos princípios inspirados por Cristo, este é o que mais amo; desejo fazer desta mensagem uma realidade vivente, que seja aplicada na vida diária. O preconceito racial é a mais absurda de todas as manifestações da ignorância humana. A cor de uma pessoa afeta somente sua pele. Deus dotou de pigmentos dérmicos mais escuros aquelas raças que haveriam de viver sob condições climáticas que requeriam uma maior proteção contra o sol; esta foi, pois, uma medida puramente
prática. O dispor de uma pele branca, olivácea, amarela, vermelha ou negra, não é um fato do qual possamos sentir-nos particularmente orgulhosos. Além do que, a alma se veste de uma cor em uma vida e de outra cor em outra encarnação.
Assim, pois, a cor de nossa pele é um fator extremamente superficial. Abrigar qualquer preconceito racial implica discriminar contra Deus, que reside nos corações de todos os homens do mundo, sejam eles vermelhos, brancos, amarelos, oliváceos ou negros. Além disso, convém recordar que quem quer que odeie a uma determinada raça, reencarnará certamente em um corpo dessa raça; é assim que a lei kármica força o homem a superar os preconceitos que afogam sua alma. Cultivai em vosso corações o sentimento da fraternidade humana; isto é o mais importante. Embora os ensinamentos de Jesus estivessem predeterminados a estabelecer suas mais fortes bases no Ocidente, ele escolheu encarnar em um corpo.
Tal é na raça judia, o que teve uma longa história de percussões, porque desejava demonstrar quão absurdo é julgar os outros por sua raça ou cor. O verdadeiro cristianismo deve ser vivido; as diferenças raciais devem desaparecer. Os preconceitos e a ausência de um verdadeiro espírito de fraternidade são as causas da guerra e da desunião entre os filhos de Deus. Devemos esforçar-nos para erradicar toda possibilidade de guerra; o ódio e o preconceito dão origem a divisões e sofrimentos. Jesus advertiu o seguinte: "Pois todo aquele que faça uso da espada, perecerá pela espada (S.Mateus 26:52)". Não é a espada, mas sim a prática dos princípios cristãos, o que libertará finalmente o mundo. No sentido mais elevado, somente Deus pode proteger-nos. E a melhor forma de ajudar o mundo consiste em viver uma vida ideal, tal como a ensinada por Cristo e por todos os seres espiritualmente iluminados. Acima de tudo, ama a Deus: não vês acaso que toda resposta está em suas mãos? Quando Ele descerrar a cortina do mistério, perceberás a resposta a tudo o que parecia até então obscuro e indecifrável.
Alguns ocidentais consideram os hindus como hereges e não sabem que muitos hindus consideram os ocidentais como hereges;a ignorância prevalece em ambos os casos. Em algumas ocasiões me perguntaram se creio em Jesus. Minha resposta é: "Porque semelhante pergunta? Na Índia reverenciamos a Jesus e seus ensinamentos, talvez em maior grau que vós outros". Para amar a Cristo é necessário viver seus ensinamentos, seguir o exemplo de sua vida. Jesus disse: "A quem te bater na face direita, apresenta-lhe também a outra (S. Mateus 5:39)". A Índia tem praticado este princípio mais que qualquer outra nação. Muitos que se consideram cristãos, contudo, não o aplicam; afirmam que semelhante filosofia é bonita mas, se os golpeassem, eles retribuiriam com doze bofetadas, um pontapé e quem sabe, também uma bala! Quem reage desta forma não é um verdadeiro cristão ou seguidor de Cristo, já que não é esse o espírito de Jesus, o qual tudo perdoa. Cada vez que contemplarem o símbolo da cruz, este deve recordar aquilo que representa, isto é, que é necessário que carreguem suas cruzes com atitude correta, tal qual o fez Jesus.
Quando, não obstante o desejo de fazer o bem, você receber em troca incompreensão ou descortesia, em lugar de se aborrecer você deve dizer como Cristo: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem". Por que perdoar a quem o injuriar? Porque, se responder com ira, você estará desfigurando a divina natureza de sua própria alma; e não será então, de forma nenhuma,
superior a seu ofensor. Mas se, em vez disso, manifestar fortaleza espiritual,
Será abençoado e o poder de sua conduta correta ajudará também seu próximo a superar a sua falta de entendimento. Na Índia, aqueles eternos princípios da verdade e da retidão ensinados por Jesus Cristo são levados muito a sério; na verdade, os tomamos literalmente, sem interpretá-los de acordo com nossos próprios propósitos. Jesus disse: "Quem quer que abandone casa, irmãos, irmãs, pai, mãe filhos ou bens por meu nome, receberá em cem por um e herdará a vida eterna ( S.Mateus 19:29)". O espírito de renúncia por amor a Deus expresso nesta frase predomina em toda Índia. E em épocas passadas especialmente, todo homem abrigava o ideal de dedicar totalmente a Deus pelo menos uma parte de sua vida. "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus" - Aos Filipenses 2:5.
A Deus não agrada ser esquecido
Não é necessário que toda pessoa renuncie completamente ao mundo, mas não agrada ao Senhor que esqueças Dele enquanto te dedicas aos teus deveres materiais. Dedica uma parte de teu tempo exclusivamente a Deus, sem desenvolver trabalho algum. Eu sempre dedico ao Senhor um certo período de tempo de manhã e à noite e o resto do dia O sirvo de todo coração. Ele disse no Gita: "Não importa que ações desenvolvas....consagra-as todas como oferenda a Mim. Desta maneira, nenhuma de tuas ações poderá prender-te mediante o bom ou mau karma". Vieste a esta terra pela vontade de Deus. Este mundo pertence a Ele, e não a vós outros. Estás aqui somente para servir ao Senhor. A vida te decepcionará e causará grande desilusão se trabalhares somente para teu próprio benefício, já que eventualmente deverás abandonar tudo; então te verás forçado a praticar a renúncia!
A mensagem de Cristo é uma mensagem de compaixão e perdão, renúncia (a qual se deve praticar no espírito, quando não for possível fazê-lo externamente), moralidade, amor fraternal, unidade, igualdade e, acima de tudo, amor a Deus. Recorda a advertência de Jesus:" E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos peço?" (S.Lucas 6:46) A autenticidade da vida de Cristo foi posta em dúvida por muitos agnósticos. Alguns propagaram a teoria de que Jesus foi uma figura legendária e sua vida um mero drama fictício. Sei que Cristo é real porque o vi muitas vezes. A tez de Jesus não era tão clara como a da maioria de vocês no Ocidente; ele tinha pele escura. A cor de seus olhos tampouco era azul pálido nem seu cabelo loiro, como o pintam muitos artistas; ambos eram escuros.
De "Meditações Metafísicas":
Entra Tu em minh'alma, Pai, através dos portais da devoção de meu coração e de minhas ardentes preces. Uma visão de Cristo na escola de Yogoda na Índia Um dia, quando me encontrava sentado acompanhado de um grupo de estudantes em minha escola em Ranchi, vi que alguém se aproximava, por trás dos rapazes. Me perguntei quem seria, porém logo pude perceber que se tratava de Jesus; seus pés não tocavam a terra enquanto andava. Chegou muito perto de nós, e logo se desvaneceu. Poucos anos mais tarde, em Boston, vi novamente Jesus. Encontrava-me meditando e orando profundamente a Deus, porque sentia que durante três dias me havia esquecido Dele, deixando-me absorver excessivamente pelas responsabilidades que Ele me havia dado. Disse ao Senhor:"Vou abandonar esta obra". A atitude correta consiste em amar a Deus e amar a sua obra por amor a Ele. Os que servem como missionários porém não fazem o esforço por meditar e comungar com Deus, jamais encontrarão ao Senhor. Porque eu sentia que as atividades de meu ministério me haviam afastado de Deus, orei: "Senhor, irei embora daqui. Não permanecerei na América nem levarei a cabo esta obra tua, a menos que saiba que te encontras comigo". Uma voz atravessou o éter, como um raio de luz: "Pede o que desejares, porém não podes ir embora". Muitas vezes em minha vida Deus me tem impedido de fugir de meus deveres junto a esta causa, para permanecer a sós com Ele. Respondi à divina voz: " Deixa-me contemplar a Krishna e a Jesus, com seus discípulos, em um mar dourado." Ainda não tinha terminado de formular este pedido interno, quando vi aqueles divinos seres acercando-se de mim. "Isto é uma alucinação, pensei". "Se a pessoa que se encontra meditando comigo também perceber o mesmo, crerei". Instantaneamente, meu companheiro exclamou em alta voz: "Oh! vejo Cristo e Krishna!"
Minha razão disse então: "Isto é mera transferência de pensamento."Em meio a dúvidas, orei a Deus pedindo-lhe que me ajudasse em minha falta de fé, e a voz disse: "Quando me for, o aroma de loto preencherá este aposento e quem quer que aqui entre o perceberá." Ao desvanecer-se a visão, a sala inteira foi inundada pela maravilhosa fragrância de loto e os que entraram nela, mesmo horas mais tarde, notaram o aroma. Não pude, pois, continuar duvidando. Mahavatar Babaji me ordenou vir à América com o objetivo de interpretar os ensinamentos de Cristo e demonstrar seu paralelismo com o yoga ensinado por Krishna na Índia. Nas verdades imortais expressadas por estes avatares estão as respostas às necessidades de todas as épocas. É por isso que Babaji, que se encontra em divina comunhão com Cristo, me designou a missão especial de trazer esta mensagem ao Ocidente. Enquanto este corpo respirar, continuarei tratando de juntar Oriente e Ocidente, procurando cumprir o propósito pelo qual Cristo veio à terra em um corpo oriental. Sua alma no Ocidente e seu corpo no Oriente; a reunião de ambos unirá o Oriente com o Ocidente.
"Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras." -S.João 14:10

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