terça-feira, 30 de dezembro de 2008





OBRIGADO MESTRE DIVINO DO AMOR SENHOR JESUS DE NAZARÉ




Rumi, o místico do amor




por Leonardo Boff

 

Neste ano se celebram 800 anos de nascimento de Jalal ud-Din Rumi (1207-1273), o maior dos místicos islâmicos e extraordinário poeta do amor. Nasceu no Afeganistão, passou pelo Irã e viveu e morreu em Konia na Turquia.


Era um erudito professor de teologia, zeloso nos exercícios espirituais. Tudo mudou quando se encontrou com a figura misteriosa e fascinante do monge errante Shams de Tabriz. Como se diz na tradição sufi, foi "um encontro entre dois oceanos". Esse mestre misterioso iniciou Rumi na experiência mística do amor. Seu reconhecimento foi tão grande que lhe dedicou todo um livro com 3.230 versos o Divan de Shams de Tabriz. Divan significa coleção de poemas.


A efusão do amor em Rumi é tão avassaladora que abraça tudo, o universo, a natureza, as pessoas e principalmente Deus. No fundo trata-se do único movimento do amor que não conhece divisões, mas que enlaça todas as coisas numa unidade última e radical tão bem expresso no poema Eu sou Tu: "Tu, que conheces Jalal ud-Din (nome de Rumi). Tu, o Um em tudo, diz quem sou. Diz: eu sou Tu". Ou o outro:" De mim não resta senão um nome, tudo o resto é Ele".


Essa experiência de união amorosa foi tão inspiradora que fez Rumi produzir uma obra de 40.00 versos. Famosos são o Masnavi (poemas de cunho reflexivo-teológico), Rubai-yat (Canção de amor por Deus) e o já citado Divan de Tabriz.


Próprio da experiência místico-amorosa é a embriagues do amor que faz do místico um "louco de Deus" como eram São Francisco de Assis, Santa Tereza d’Ávila, Santa Xênia da Rússia e também Rumi. Num poema do Rubai’yat diz: "hoje eu não estou ébrio, sou os milhares de ébrios da terra. Eu estou louco e amo todos os loucos, hoje".


Como expressão desta loucura divina inventou a sama a dança extática. Trata-se de dançar girando em torno de si e ao redor de um eixo que representa o sol. Cada dervixe girante, assim se chamam os dançantes, se sente como um planeta girando ao redor do sol que é Deus.

Dificilmente na história da mística universal encontramos poemas de amor com tal imediatez, sensibilidade e paixão que aqueles escritos pelo islâmico Rumi. É como uma fuga de mil motivos que vão e vêm sem cessar. Num poema de Rubai-yat canta: "Tu, único sol, vem! Sem Ti as flores murcham, vem!. Sem Ti o mundo não é senão pó e cinza. Este banquete e esta alegria, sem Ti, são totalmente vazios, vem!".


Um dos mais belos poemas, por sua densidade amorosa, me parece ser este, tirado do Rubai-yat: "O teu amor veio até meu coração e partiu feliz. Depois retornou, vestiu a veste do amor, mas mais uma vez foi embora. Timidamente lhe supliquei que ficasse comigo ao menos por alguns dias. Ele se sentou junto a mim e se esqueceu de partir".


A mística desafia a razão analítica. Ela a ultrapassa porque expressa a dimensão do espírito, aquele momento em que o ser humano se descobre a si mesmo como parte de um Todo, como projeto infinito e mistério abissal inexprimível. Bem notava o filósofo e matemático Ludwig Wittgenstein na proposição VI de seu Tractatus logico-philosophicus:"O inexeprimível se mostra, é o místico". E termina na proposição VII com esta frase lapidar: "Sobre o que não podemos falar, devemos calar". É o que fazem os místicos. Guardam o nobre silêncio ou então cantam como fez Rumi, mas de um modo tal que a palavra nos conduz ao silêncio reverente.




BABAJI: O MESTRE DOS MESTRES



Dizem que ele permanece vivo há séculos, orientando pessoalmente grandes mestres e profetas e inspirando anonimamente as pessoas comuns em seu lento processo evolutivo. Sua missão: ajudar a humanidade a realizar seu imenso potencial latente.


Por José Tadeu Arantes


Vivemos, na maior parte do tempo, uma existência limitada. Seja na vida profissional, seja na vida pessoal, nosso desempenho fica, quase sempre, muito abaixo do verdadeiro potencial humano. Duas forças poderosas contribuem para isso: o senso comum e o hábito. O senso comum nos faz acreditar que somos muito menos do que realmente somos. O hábito nos faz perpetuar, pela repetição, essa falsa imagem que temos de nós mesmos. Todos já ouvimos histórias de pessoas que, num momento de crise, em situações muitas vezes de vida ou morte, superaram a si mesmas – ou melhor, superaram aquilo que acreditavam ser – e fizeram coisas que pareciam impossíveis. Ouvimos essas histórias, comentamos com um ou dois amigos, e rapidamente as esquecemos, voltando à rotina.


A existência dos grandes mestres espirituais é sempre um desafio a essa visão limitada. Seus feitos freqüentemente excedem aquilo que consideramos "normal" ou mesmo "verossímil". Quem já teve a graça de experimentar a presença de um mestre provavelmente se viu obrigado a rever seus paradigmas. Quem não teve encontra-se diante da opção de crer ou não crer. Jesus disse: "felizes os que não viram e creram". Tradições muito antigas, que ainda hoje estão vivas na Índia, afirmam a existência de uma linhagem de homens e mulheres que, pela devoção integral a Deus, pelo exercício sistemático da auto-observação e pela prática intensiva de diversas disciplinas iogues, atingiram um estágio supremo de desenvolvimento, realizando, em todos os planos da existência, as possibilidades divinas latentes no humano. Eles são chamados de siddhas, ou "perfeitos".


No limite, essa realização produziria uma completa transformação do indivíduo, inclusive de seu corpo físico, possibilitando-lhe conquistar a imortalidade – não para o seu benefício pessoal, mas pelo bem da humanidade. Muitos santos, de várias linhagens, experimentaram a comunhão com a Divindade no plano espiritual, mas pouquíssimos teriam alcançado a identificação total obtida pelos siddhas. Babaji, afirmam seus devotos, é o maior de todos eles. 


Com um corpo sempre jovem e poderes que ultrapassam tudo o que podemos imaginar, ele permaneceria vivo há séculos, orientando pessoalmente grandes mestres e profetas e inspirando anonimamente as pessoas comuns em seu lento processo evolutivo. Sua missão: ajudar a humanidade a realizar seu imenso potencial latente, um potencial capaz de transformar o planeta em verdadeiro paraíso.


Babaji, dizem, foi o guru secreto do filósofo Adi Shankaracharya (século 9 d.C.), do poeta Kabir(século 15) e do iogue Lahiri Mahasaya (século 19). Ele também resgatou, sistematizou e atualizou a antiga ciência da kriya yoga, oferecendo-a aos homens como uma poderosa ferramenta para o seu desenvolvimento integral. Em um local inacessível do Himalaia, Babaji continuaria trabalhando em segredo, à espera do momento em que poderá enfim se mostrar publicamente.


Apesar de o trabalho de Babaji beneficiar a humanidade inteira, poucos afortunados souberam, durante séculos, de sua existência. Esse conhecimento só foi disponibilizado para o grande público na década de 1940, nas páginas do livro Autobiografia de um iogue, de Paramahansa Yogananda. Nelas, Yogananda relatou acontecimentos maravilhosos, afirmando, porém, que só divulgava as informações liberadas pelo próprio Babaji. Isso não incluía nenhum dado de caráter biográfico. Anos depois, talvez considerando que seus seguidores já estivessem preparados para um pouco mais, Babaji teria comunicado a outros discípulos alguns fatos importantes de sua vida pessoal. Esse material foi publicado pelo estudioso Marshall Govindan Satchidananda em seu livro Babaji e os 18 Shiddas: a tradição da Kriya Yoga, já disponível em português. Ele nos permite compreender um pouco melhor a natureza desse mestre desafiador e os vínculos que o unem à antiqüíssima linhagem dos siddhas (1).


Como o filho do sacerdote virou andarilho Segundo Satchidananda, Babaji nasceu em 30 de novembro de 203 d.C., na aldeia de Parangipettai, no sul da Índia. Recebeu, então, o nome de Nagaraj, que significa Rei das Serpentes (2). Sua família pertencia à casta dos brâmanes (sacerdotes) e seu pai exercia função sacerdotal no templo de Shiva. Este seria também o pesado destino do menino, se um acontecimento providencial não tivesse modificado completamente o curso de sua vida: aos cinco anos, quando brincava próximo à porta do templo, ele foi seqüestrado por um estrangeiro e vendido como escravo, mais de 1000 quilômetros ao norte. Bondoso, o homem que o comprou concedeu-lhe quase imediatamente a liberdade. E assim, sem casta e sem família, Nagaraj viu-se livre no mundo. Juntou-se a um grupo de sanyasins (3) errantes. Como o campeão dos torneios tornou-se discípulo do siddha Boganathar.


De cidade em cidade, de santuário em santuário, estudando com os sábios, conversando com os eruditos, o menino acumulou conhecimentos. Com espantosa velocidade. Aos 11 anos, dominava toda a literatura clássica indiana (os Vedas, o Ramaiana e o Mahabharata, que inclui o Bhagavad Gita). Numa época em que várias escolas de pensamento competiam entre si, Nagaraj tornou-se um debatedor invencível, surpreendendo a todos por sua precocidade. Mas não estava satisfeito. Percebeu que os torneios intelectuais constituíam um fator de distração e que a erudição não o estava aproximando da verdadeira realização espiritual. Decido a achar seu caminho, empreendeu uma longa e penosa viajem, a pé e de barco, do nordeste da Índia até Kataragama, no extremo sul do Sri Lanka. Nesse lugar privilegiado, Babaji encontrou o grande siddha Boganathar, que o acolheu como discípulo. Como o discípulo superou o mestre Boganathar apresentou ao jovem a tradição dos siddhas. E lhe ensinou várias técnicas de meditação. Praticando por intervalos de tempo cada vez mais longos, até permanecer em meditação durante 48 dias seguidos, Nagaraj alcançou estados sublimes de consciência, libertando-se progressivamente das cadeias do ego e identificando-se com a Realidade Absoluta. Essas experiências culminaram com uma gloriosa visão de Murugan (4), sob a forma do Eterno Adolescente. Nagaraj então se deu conta de que estava encarnando a superconsciência associada ao jovem deus. Reconhecendo o imenso potencial de seu discípulo, Boganathar o encaminhou ao seu próprio mestre, o lendário siddha Agastyar, para que este lhe ensinasse técnicas ainda mais avançadas.


Como o menino de 16 anos obteve a iluminação Nagaraj dirigiu-se aos montes Pothigai, no sul da Índia, onde o grande siddha se ocultava. Sentando-se em uma posição de yoga, ele se pôs a rezar, disposto a não interromper a prece até que Agastyar lhe aparecesse e concedesse a iniciação. E se manteve por mais de um mês e meio no local, enfrentando o sol, a chuva e o ataque dos insetos. Mais do que tudo, enfrentava a si mesmo, superando as últimas artimanhas do ego, que o incitava a desistir. Quando o jovem estava à beira do colapso, Agastyar, que testava sua determinação, finalmente se revelou. Depois de ajudá-lo a recuperar as forças, o siddha o iniciou nos segredos da respiração iogue (pranayama). Orientado por Agastyar, Nagaraj viajou então ao Himalaia, para praticar, em completa solidão, todas as técnicas que havia aprendido. Após 18 meses de prática intensiva, o jovem obteve a suprema iluminação. Ele tinha apenas 16 anos. E acabava de se transformar em Babaji.


Como seus seguidores o vêem Para seus discípulos e devotos, Babaji é o Mahasiddha (Siddha Supremo) e o Mahavatar (Suprema Encarnação Divina). Alguns o associam a Maitreya (o Buda Futuro). Ou ao Paráclito (o Consolador), cuja vinda foi prometida por Jesus. Paramahansa Yogananda afirmou que, em íntima colaboração com Jesus, Babaji trabalha incansavelmente pela evolução da humanidade. Mas suas missões terrenas seriam de tipo diferente. A de Jesus, realizada no curso de uma vida breve, estava destinada a se desenrolar aos olhos do mundo. A de Babaji, de longa duração, pressupôs, até recentemente, quase total anonimato.


Ainda segundo Yogananda, Babaji prometeu permanecer na Terra, encarnado em um corpo físico, e acessível ao menos a um pequeno círculo de pessoas, enquanto durar o presente ciclo planetário.

 
Notas (1) Segundo várias tradições espirituais, Deus é a única realidade existente – uma realidade que se manifesta em todos os entes do cosmo. Isso significa que Deus estaria inteiramente presente em cada indivíduo humano. Mas a menor ou maior explicitação da essência divina dependeria do grau de desenvolvimento alcançado pela pessoa. Na maioria de nós, essa essência permaneceria implícita, à espera do momento em que poderia se explicitar. Inconscientes de nossa verdadeira identidade, seríamos, então, como flores em botão. Haveria homens e mulheres, porém, que já ultrapassaram essa etapa e, com menor ou maior intensidade, estariam desabrochando. Ossiddhas seriam flores totalmente desabrochadas. Neles, Deus se manifestaria com exuberância em todos os domínios da existência.


Antigos siddhas, como Thirumular (século 4 d.C.), descreveram detalhadamente esse processo. Narrativas semelhantes aparecem na literatura taoísta chinesa e nos escritos de grandes iogues de tempos recentes, como Ramalinga Swami (1823-1874) e Sri Aurobindo Ghose (1872-1950). Dizem esses textos que, quando os obstáculos impostos pelo ego são completamente removidos, a graça divina “desce” sobre o indivíduo, impregnando, “de alto a baixo”, todos os seus planos de existência. Ocorre então uma transformação que abarca, sucessivamente, os domínios espiritual, intelectual, mental, vital e físico. A tendência do corpo físico ao envelhecimento, à doença e à morte é considerada pelos siddhas como a última fortaleza do ego. Quando essa cidadela é conquistada pela rendição incondicional a Deus, a transformação divina se aprofundaria na matéria, alcançando os níveis celular, molecular, atômico e subatômico. O resultado seria um corpo incorruptível, que emana um suave brilho dourado. O “corpo dourado” é insistentemente mencionado na poesia dos siddhas e nos tratados taoístas.


(2) A serpente (naga) é um símbolo da Kundalini, a "energia" divina presente em todo ser humano.


(3) Sanyasins são indivíduos que renunciam à vida comum para seguir um caminho espiritual.


(4) Conhecido por 1008 nomes diferentes, Murugan, o filho de Shiva, é considerado uma manifestação juvenil do próprio Deus.



“O MESTRE DA ESPIRITUALIDADE”


 Swami Vivekananda  

 

            Toda alma está destinada a ser perfeita e todo ser chegará, inevitavelmente, a alcançar a perfeição. O que somos é conseqüência do que temos sido ou pensado, no passado e o que chegarmos a ser, no futuro, dependerá do que fazemos agora, ou pensamos. Mas isto não impede que recebamos ajuda do exterior; esta última acelera até tal ponto as possibilidades da alma, que se torna quase imprescindível, na imensa maioria dos casos. A influência aceleradora proveniente do exterior atua sobre nossas potencialidades, começando, então, o desenvolvimento; aparece a vida espiritual e o homem, finalmente, chega a ser santo e perfeito.


            O impulso estimulante externo não pode vir dos livros; a alma somente pode receber esse impulso de outra alma e nenhuma outra coisa pode dar-lhe. Embora armazenemos erudição durante toda uma vida, extraindo-a de livros e cheguemos a ser altamente intelectuais, devemos confessar, ao final, a nulidade de nosso desenvolvimento espiritual. Não devemos deduzir que o maior grau de desenvolvimento intelectual corresponde a um maior nível espiritual; muito pelo contrário. Comprovamos quase que diariamente, que em muitos casos o intelecto se desenvolve a revelia da parte espiritual. 


            Muitos ajudam os livros a despertar e fortalecer a inteligência, mas pouco serve para o desenvolvimento. Quando os lemos e estudamos, cremos, às vezes, receber uma colaboração espiritual, mas se analisarmos, achamos que somente foi recebida ajuda ao nosso intelecto e não ao nosso espírito.


            Por isso, quase todos nós somos capazes de falarmagistralmente sobre os temas espirituais, mas quando nos chega o momento de atuar, fracassamos lamentavelmente. Isso se deve a que os livros não podem estimular o espírito; o impulso há de vir pela força de outra alma.


            A alma de onde parte o impulso denomina-se guru, instrutor e aquela que o recebe, se chama discípulo, estudante. Para que se verifique a operação, a alma de onde se origina o impulso deve possuir o poder de transmiti-lo a outras, por assim dizer, e a alma receptora deve estar capacitada para a dita recepção. A semente deve estar bem viva e o campo perfeitamente arado; quando se enchem dessas duas condições, se obtém um maravilhoso desenvolvimento de religião. “O pregador da religião e seu ouvinte, devem ser maravilhosos” e quando ambos o são e em grau superlativo, se produz um esplêndido desenvolvimento espiritual.


            Tais são os verdadeiros instrutores e os verdadeiros alunos. Os demais não fazem senão entreter-se com a espiritualidade, travar pequenas discussões intelectuais, satisfazer mesquinhas curiosidades, mas se acham somente na zona externa do panorama religioso. Contudo, algum valor tem isto, pois pode despertar a verdadeira sede de religião; tudo chega com o transcorrer do tempo.


            Por uma misteriosa lei da natureza, enquanto está pronto o terreno, a semente deve, por força, chegar; apenas a alma querreligião, deve acudir quem a transmita.  “O pecador que busca, encontra o Redentor”. Quando a força de atração da alma receptora chega a sua culminação, deve chegar ao poder que responde a tal atração.


            Porém, existem grandes perigos no caminho, entre eles o de que confunda a alma receptora, sua emoção momentânea, com o verdadeiro desejo religioso. Não é factível observar isso em nós mesmos; morre alguém a quem amamos; recebemos um golpe; por um momento pensamos que este mundo desliza entre os dedos, que desejamos algo superior e que seremos religiosos. Em poucos dias se desvanece a onda e permanecemos encalhados onde estávamos. Com freqüência, confundimos esses impulsos com verdadeira sede de religião e enquanto perdurar essa confusão, não surgirá esse verdadeiro e ininterrupto desejo da alma, nem encontraremos otransmissor.


            Da mesma maneira, quando nos lamentamos por não ter achado a verdade, apesar de tanto deseja-la, deveríamos, em vez de nos lamentar, perscrutar nossa própria alma para observar se realmente a necessitamos; na imensa maioria dos casos, acharemos que não estamos preparados, não queremos, não ansiamos o espiritual.


            Existem até mais dificuldades para o transmissor. Muitos indivíduos, mergulhados na ignorância, mas plenos de orgulho, crêem saber de tudo. E não se detêm ali, senão que se oferecem a carregar os outros sobre seus ombros e dessa maneira, “um cego guiando outro cego, cairão os dois na vala”. O mundo está cheio disso; todos querem ser instrutores, cada mendigo deseja fazer uma doação de um milhão de dólares e tanto um como o outro, acabam igualmente ridículos.


            Então, como conheceremos o mestre? Em primeiro lugar, o sol não requer tochas para se fazer visível. Não acendemos uma vela para ver o sol. Quando o astro rei aparece no horizonte, instintivamente nos damos conta de sua aparição e quando um instrutor de homens vem para nos ajudar, a alma saberá instintivamente que encontrou a verdade. A verdade se apóia em sua própria evidência; não requer nenhum testemunho que a confirme e brilha por si mesma, sem necessidade de ajuda. Penetra no mais recôndito de nossa natureza e todo o universo se levanta e proclama: “Esta é a Verdade”. Estes são os maiores mestres, mas também podemos obter ajuda dos menores. Como não somos intuitivos o bastante para estarmos seguros de nosso critério ao julga-los, devemos examinar as provas. Se requererem certas condições, tanto para ensinar quanto para aprender.


             Os requisitos para quem aprende são a pureza, uma verdadeira sede de conhecimento e perseverança. Nenhuma alma impura pode ser religiosa; é absolutamente necessária a pureza em todo sentido. A segunda condição é uma verdadeira sede de conhecimento. Quem quer? Esse é o problema. Conseguimos quanto queremos; essa é uma lei muito antiga. Quem quer algo, consegue. Por querer religião, não é tão fácil como supomos geralmente. Esquecemos que a religião não consiste em escutar práticas, em ler livros; é uma luta contínua, uma guerra com nossa própria natureza, um constante batalhar até que se alcance a vitória. Não se trata e um ou dois dias, nem de anos ou de vidas; a vitória pode apresentar-se de imediato ou através de centenas de vidas dedicadas a esta árdua luta; devemos estar dispostos a tudo. O discípulo que possui tal espírito alcança o êxito.


            Em primeiro lugar, devemos averiguar se o mestre conhece o segredo das Escrituras. Todo o mundo lê as Escrituras, Bíblias, Vedas, Alcorão e outros; mas só são palavras, símbolos externos, sintaxes, a etimologia, a filologia, o esqueleto da religião. O mestre poderá determinar a idade de um livro qualquer, mas as palavras somente constituem um veículo e quem lhes dá demasiada importância, ou deixa arrastar-se por elas, perde o espírito.


            O mestre deve conhecer o espírito das Escrituras. A teia de palavras é como um gigantesco bosque donde se extravia a mente humana, sem encontrar saída. Os diversos modos de enlaçar frases, as diferentes formas de expressão, os distintos métodos de explicar os ditos das Escrituras, só servem para o deleite dos eruditos, mas não conduzem a perfeição; e quem a isso recorre, só deseja exibir sua erudição para colher louvores e para demonstrar que são pessoas cultas.


            Observai: nem um só dos grandes mestres detiveram-se a dar tão variadas explicações dos textos, nem intentaram, jamais,tortura-los para tergiversa-los, nem disseram “esta terminologia significa tal coisa e esta é a relação filológica entre este vocábulo e aquele outro”. Se estudardes a todos os grandes mestres que houve no mundo, vereis que nenhum deles procedeu desta maneira. E, contudo, eles ensinaram, enquanto que outros, que nada têm que ensinar, tomam uma palavra e escrevem uma obra em três volumes sobre sua origem e uso. Como costumava dizer meu mestre, que pensarias de quem penetrasse em sua plantação de mangas e se ocupasse em contar as folhas, observar sua cor, comparar o tamanho dos ramos, olhar em torno dos brotos, etc., enquanto que só um tivesse a sensatez de começar a comer os frutos? Deixai, pois, aos outros a contagem das folhas e dos ramos. Essa tarefa possui seu valor local, mas não aqui, no reino espiritual; não pode conferir espiritualidade, nem encontrareis gigantes espirituais entre os que “contam folhas”.


            A religião, o desejo mais elevado do homem, a maior gloria, não requer “a contagem das folhas”. Para ser cristão, não há necessidade de saber se Cristo nasceu em Jerusalém ou em Belém, nem a data exata em que pronunciou o Sermão da Montanha; ao ler obras inteiras que expliquem quando foi essa pregação de pouco serve, exceto como passatempo dos sabichões; deixemos isto para eles; digamos “amém” e “comamos as mangas”.


            A segunda condição de que necessita o instrutor, é de estar isento de pecados. Certa vez um amigo me perguntou, na Inglaterra: “Por que temos que levar em conta a personalidade de um mestre?... Só devemos julgar o que diz e aproveitar”. Não é assim. Se alguém deseja ensinar-me dinâmica, química ou qualquer outra ciência física, pode fazê-lo embora seja um patife, porque as ciências físicas só requerem conhecimentos intelectuais, que dependem da potencialidade do intelecto; pode-se possuir gigantesca intelectualidade sem o menor desenvolvimento da alma. Porém coisa muito distinta ocorre com o espiritual; não pode, em absoluto, brilhar a luz da espiritualidade em uma alma impura. Que poderia nos ensinar um ser impuro, se nada sabe?


            A verdade espiritual é pura. “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”. Esta única frase condensa o essencial de todas as religiões. Aprendeis-la e sabereis tudo o quanto foi dito no passado e quanto é possível dizer no futuro; nada necessitareis buscar, pois tudo está incluído nessa sentença e ela somente bastaria para salvar o mundo, se desaparecessem todas as demais Escrituras.


            A visão de Deus, o vislumbre do mais além, nunca chega até que a alma seja pura. Por isso a pureza é requisito indispensável a um mestre espiritual; primeiro devemos ver quem é e depois o que diz. Não sucede o mesmo com os mestres intelectuais; levamos mais em conta o que dizem, do que quem são. Mas tratando-se de um instrutor religioso, devemos antes de tudo estuda-lo e, em segunda instância, suas palavras. Porque sendo ele transmissor, que poderia transmitir se carece de poder espiritual? Darei um exemplo: se este aquecedor está em alta temperatura, pode produzir vibrações caloríficas, mas caso contrário, é impossível que o faça.


            O mesmo acontece com as vibrações mentais que o mestre religioso emite à mente do discípulo. É um assunto de transferência e não só um estímulo de nossas faculdades intelectuais. Certo poder real e tangível surge do mestre e começa a desenvolver-se na mente do discípulo. Por isso é imprescindível que o mestre seja sincero.


            A terceira condição é o motivo. Deveis cuidar em não ensinar com um motivo ulterior, por adquirir fama ou por qualquer outra razão, senão simplesmente por amor, puro amor para com os outros. As forças espirituais só podem ser transmitidas do mestre ao discípulo por meio do amor; não existe outro veiculo. Qualquer outro motivo, tal como a ambição de dinheiro ou fama destruirá imediatamente o meio transmissor; por isso tudo deve ser feito por meio do amor. Só quem conheceu a Deus pode ser mestre. Quando observeis que o mestre reúne as condições necessárias, fiqueis tranqüilos; se não, será imprudente aceita-lo. Existe, às vezes, um grave risco, o de que o mestre, não podendo transmitir a bondade, transmita perversidade. Convém precaver-se. E de tudo isto se deduz que não podemos aceitar os ensinamentos de qualquer um, nem de todos.


            Que os regatos e pedras preguem sermões pode admitir-se, como licença poética, mas ninguém pode pregar nem um átomo de verdade enquanto não o possa. A quem dirigem seus sermões, os regatos? Somente às almas humanas, cujo loto já se tenha aberto. Quando o coração está aberto, pode receber ensinamentos dos regatos ou das pedras, porém o coração que não está aberto, só verá regatos e seixos.


            Um cego pode entrar em um museu, mas não fará nada senão entrar e sair; para que veja, é preciso que abra antes os olhos. Quem nos abre os olhos em questões religiosas, é o instrutor. Portanto nossa relação com o mestre é a de antepassado e descendente; o mestre é o antepassado espiritual e o discípulo, o descendente espiritual. Bom é falar de liberdade e independência, mas sem humildade, submissão, veneração e fé, não existirá religião alguma.


            É um fato significativo que só onde ainda persiste a relação entre o mestre e o discípulo, se desenvolvem gigantescas almas espirituais; enquanto que os que estão despojados dessa relação, tomam a religião como um passatempo. As nações e igrejas que não mantêm essa relação entre o mestre e discípulo, desconhecem quase por completo a espiritualidade. Esta não se apresenta sem essa sensação; não há a quem transmitir, nem o que transmitir, porque todos são independentes. De quem eles podem aprender? E se vêm aprender, vêm para comprar o ensinamento. Dê-me um dólar de religião; não posso pagar um dólar por isso? A religião não pode ser alcançada desse modo!


            Nada há de mais elevado, nem mais santo que o conhecimento que chega à alma, transmitido por um mestre espiritual. Ele, que se converteu em um perfeito yogui, não o alcançou isto por meio de livros. Embora quebreis a cabeça contra os quatro cantos do mundo buscando nos Himalaias, nos Alpes, no Cáucaso, no deserto de Gobi ou do Saara, e até no fundo do mar, não alcançareis o conhecimento até não achar um mestre. Buscastes ao mestre, atende-o como filhos, abristes vosso coração e vedes nele a manifestação de Deus. Fixemos nossa atenção no mestre considerando-o como suprema manifestação de Deus e na medida em que aumentar nossa concentração, se desvanecerá a imagem do homem, a envoltura externa, até que só fique o verdadeiro Deus.


            A quem se aproxima da verdade com tal espírito de veneração e amor, o Senhor da verdade lhes dirige palavras maravilhosas. “Tire os sapatos, porque o lugar que estás pisando é sagrado”. Sagrado é todo lugar onde se pronuncia Seu nome e quanto mais continuamente O repetes, com maior veneração deve se aproximar de quem difunde as verdades espirituais. Assim devemos pensar, para que nos ensinem. Tais mestres são poucos, sem dúvida, mas o mundo nunca carece deles. Quando assim não for, deixará de ser o que é e se converterá em um horrível inferno, destruindo-se.


            Os mestres enlevam a vida humana e mantém o mundo caminhando; a energia que flui desses corações é a que conserva intactos os laços da sociedade. Acima disto, existe outra espécie de mestres, os Cristos. Estes Mestres de mestres representam a Deus na forma de homem. São muito mais elevados; podem transmitir a espiritualidade com um toque, com um desejo, santificando em um segundo até aos seres mais ruins e degradados. Não lestes como costumavam faze-lo? Não são os mestres de quem estive falando; são os mestres de todos os mestres, as maiores manifestações de Deus para o homem. Não podemos ver a Deus, senão através deles, nem podemos deixar de adora-los; e são os únicos seres a quem verdadeiramente devemos adorar.


            Ninguém viu a Deus, exceto tal como se manifesta no Filho. Nós não podemos ver a Deus. Se tratarmos de concebe-lo, só conseguimos caricatura-lo. Uma lenda hindu diz que se pediu a um ignorante que fizesse um esboço do deus Shiva e após longos dias de esforços, desenhou a imagem de um macaco. De igual modo, cada vez que quisermos representar a Deus, em lugar de Sua imagem, obteremos Sua caricatura. Sua caricatura porque somos incapazes de concebe-lo como algo superior ao homem, enquanto formos homens.


            Chegará o momento em que transcenderemos nossa natureza humana e O conheceremos tal como É, mas enquanto formos homens, deveremos adora-lo como homem. Por mais que falemos, por muitas tentativas que realizemos, só podemos ver a Deus como um homem. Podemos fazer muitos discursos intelectuais, nos converter em grandes racionalistas e demonstrar que estes contos referentes a Deus são tolices, porém vamos ao sentido comum prático. Que há por detrás de tão notável intelecto? Zero, nada, pura ostentação. A próxima vez que ouvis um homem pronunciando grandes conferências intelectuais contra esta adoração de Deus, perguntes qual é seu conceito de Deus e que entende por “onipresença”, “onisciência” e “amor onipresente”, etc. Só conhece, destes termos, sua pronúncia; nada significa para ele; é incapaz de formular uma idéia e não vale mais que o homem da rua que nem sequer leu um só livro. Contudo, o homem da rua permanece tranqüilo e não incomoda o mundo, enquanto que os argumentos daquele causam perturbação. Não possui uma verdadeira percepção dos que se acham no mesmo plano.


            A religião é a realização. Aprendeis a distinguir as falácias da realização. O que se percebe na alma é realização. Não podendo conceber o Espírito temos, por força, que recorrer, para imagina-lo, ao que temos ante os olhos: o imenso céu azul, as vastas campinas, o oceano ou algo gigantesco. De que outra maneira podemos pensar em Deus? Sabeis o que, em realidade, fazeis? Falar de onipresença e pensar no mar, acaso Deus é o mar? Necessita-se de algo mais de sentido comum. Nada é tão pouco comum como o sentido comum; o mundo está repleto de vãs palavras. Demos trégua a toda esta frívola argumentação mundana.


            Nossa constituição física atual nos limita e obriga a ver a Deus como homem. Se os búfalos desejam adorar a Deus, o verão como um gigantesco búfalo; se um peixe quer adorar a Deus, pensará Nele como um enorme peixe. Vós e eu, o búfalo, o peixe, cada um representa diferentes vasilhas. Todos correm ao mar para serem cheios com água, esta adota a forma de cada recipiente, mas em cada uma só há água. O mesmo acontece com Deus. Quando os homens o vêm, o vêm como homem e os animais como animal, cada um segundo seu ideal. Este é o único modo de poder vê-lo: adorando-o como homem; não existe outra solução.


            O que não adora a Deus como homem, ou é um ser primitivo carente de religião, ou um paramahamsa (o yogui supremo) que, despojando-se de sua mente e seu corpo, transcendeu a humanidade e a natureza; esta, inteira, se converteu em seu Eu. Não possui mente nem corpo e pode adorar a Deus como Deus, como pôde faze-lo Jesus e Buda, que não adoraram a Deus como homem. O ser primitivo constitui o pólo oposto. Já sabeis que os extremos se assemelham e isto ocorre justamente com o ignorante e o supremo conhecedor; nenhum dos dois adora a nada. Os muito ignorantes não adoram a Deus porque não estão suficientemente desenvolvidos para sentir a necessidade de faze-lo. Os que alcançaram o conhecimento mais elevado tampouco adoram a Deus por tê-lo realizado e estar unificados com Ele. Deus nunca adora a Deus. Se alguém situado entre esses pólos opostos pretende não adorar a Deus como homem, cuidem com ele. É um charlatão, um irresponsável e está equivocado; sua religião não passa de uma insensatez e só pode atrair a quem pensa em coisas ridículas.


            Torna-se, pois, imprescindível adorar a Deus como homem. Bem-aventuradas as raças que possuem um Deus-homem para adorar! Vós, os cristãos, têm esse Deus-homem: Cristo; agarrem-se a Ele e, por conseguinte, Ele jamais os abandonará. Esta é a maneira natural de ver a Deus; vê-lo em um homem. Todas as nossas idéias de Deus se concentram ali. A grande limitação dos cristãos é que não consideram outras manifestações de Deus separadas de Cristo. Ele foi uma manifestação de Deus; mas também o foi Buda e vários outros e da mesma maneira haverá outras centenas mais.


            Não limiteis a Deus. Rendei a Cristo o culto que lhes pareça próprio de Deus; é a única adoração que podemos nos permitir. Deus não pode ser adorado; é o Ser imanente do universo. Só podemos adorar a Sua manifestação como homem. Quando os cristãos rezam, seria conveniente que dissessem “Em nome de Cristo”. Seria prudente parar de rogar a Deus e rezar somente a Cristo. Deus compreende os defeitos humanos e converte-se em homem para ajudar a humanidade. “Quando decai a virtude e prevalece a imoralidade, corro a ajudar a humanidade”, disse Krishna. Também acrescenta: “Os incapazes, ignorando que Eu, o Onipotente e Onipresente Deus do universo, tomei esta forma humana, se riem de mim e pesam que isto não pode ser”. Têm a mente velada por demoníaca ignorância; os impede ver Nele o Senhor do universo. Estas grandes Encarnações de Deus merecem ser adoradas; melhor dizendo, são o único que podemos adorar e no aniversário de seu nascimento e de sua morte, devemos render-lhes um culto especial. Ao venerar a Cristo, é preferível adora-lo como Ele deseja; no dia de seu nascimento o adoraria melhor orando e jejuando, que comendo pomposamente. Se pensarmos nesses grandes seres, eles se manifestam em nossa alma e nos transformam, fazendo com que nos pareçamos com eles. Toda nossa natureza muda e acabamos por ser como eles. 


            Mas não devemos misturar Cristo ou Buda com espectros que cruzam o espaço e com outras tolices semelhantes. Sacrilégio! Cristo dançando em uma sessão de espiritismo! Vi tal simulação neste país. Não chegam assim, esses seres que são manifestações de Deus; o menor roçar de seus dedos transforma por completo um homem; quando Cristo toca uma alma, toda ela muda e se transfigura como Ele; a vida inteira se espiritualiza; de todos os poros de seu corpo, emana o poder espiritual. Que significa e que valor tem esses grandes poderes de Cristo mediante os quais realiza milagres e curas maravilhosas, se comparado com Sua tão sublime personalidade? Não podia deixar de fazer esses milagres tão baixos e vulgares, porque se acha entre os vulgares. Onde os efetuava? Entre os judeus e eles não o aceitaram. Onde não se realizavam? Na Europa. Os milagres foram para onde os judeus, que rechaçaram Cristo, e o Sermão da Montanha foi para a Europa, que O aceitou. O espírito humano aceitou o que era verdade e recusou o impuro. O grande poder de Cristo não reside em Seus milagres, nem em Suas curas. Qualquer idiota poderia ter feito essas coisas; os idiotas e os diabos podem curar aos demais. Vi horríveis seres demoníacos que faziam milagres assombrosos; pareciam extrair frutos da terra. Conheci homens ignorantes e diabólicos que adivinhavam o passado, o presente e o futuro. Vi insensatos que curavam por meio de sua força de vontade e com uma só olhada, as mais horríveis doenças. Esses são, indubitavelmente, poderes, mas com freqüência, poderes demoníacos.


            Muito outro é o poder espiritual de Cristo, que sempre viveu e seguirá vivendo da mesma forma que seu gigantesco amor e as palavras de verdade que pregou. Esquecemos logo a quem cura com uma olhada, mas aquele provérbio “Bem-aventurados os limpos de coração” persiste até hoje e constitui uma inesgotável fonte de força que perdurará enquanto existir a mente humana. Enquanto não se esquece o nome de Deus, estas palavras continuarão vívidas e nunca cessarão de existir. Estes são os poderes que ensinou Jesus e os que Ele possuía.


            O poder da pureza é um poder concreto; de modo que adorar a Cristo e ao rezar para Ele, devemos ter presente que coisas desejamos e não desejar essas ignorantes exibições de poderes milagrosos, senão os maravilhosos poderes do Espírito, que fazem o homem livre, lhe confere o domínio da natureza e lhe revela Deus.



sábado, 27 de dezembro de 2008



OBAMA! ESSE CARA PROMETE! E NOS EMOCIONA!


TRADUÇÃO PARA O PORTUGUES:

Sim, o governo deve liderar o caminho da independência energética, mas cada um de nós deve fazer nossa parte para tornar as nossas casas e as nossas empresas mais eficientes. Sim, temos de dar mais chances de êxito aos jovens que caiam na vida do crime e desespero. Mas todos nós temos de fazer nossa parte como pais, para desligar a TV e ler para nossos filhos e sermos responsáveis pelo fornecimento de amor e da orientação que necessitam.

Sim, podemos discutir e debater as nossas posições apaixonadamente, mas neste momento de definição, todos nós devemos convocar a força e a graça para superar as nossas diferenças e unir esforços comuns – preto, branco, Latino, asiáticos, Nativo Americano; democrata e republicano, jovens e velhos, ricos e pobres, gays e heteros, deficientes ou não. Todos nós temos de nos juntar.

Ohio, nesta eleição não podemos permitir os mesmos jogos políticos e táticas que são utilizadas pra colocar um contra o outro e fazer nós termos medo um do outro. O desafio é demasiado elevado para nos dividir em classes e regiões e antecedentes; pelo que nós somos ou pelo que acreditamos. Porque, apesar do que os nossos adversários possam dizer, não há partes verdadeiras ou falsas neste país. Não há qualquer cidade ou região que seja mais pro-América do que em qualquer outro lugar – somos uma nação, todos nós orgulhosos, todos nós patriotas.

Existem aqueles patriotas que apoiaram a guerra no Iraque e patriotas que se opuseram à mesma; patriotas que acreditam em políticas democráticas e aqueles que acreditam em políticas republicanas. Os homens e mulheres que servem em nossos campos de batalha, alguns podem ser democratas, republicanos e Independentes, mas eles lutaram juntos e sangraram juntos, e alguns morreram juntos sob a mesma e orgulhosa bandeira. Eles não serviram a uma América vermelha ou América azul - eles serviram aos Estados Unidos da América.

Não vai ser fácil, Ohio. Nem vai ser rápido. Mas vocês e eu sabemos que é tempo para se unir e mudar este país. Alguns dos senhores podem ser cínicos e irritados com a política. Muitos de vocês podem estar desapontados e mesmo furiosos com seus líderes. Vocês têm todo o direito de estar. Mas, apesar de tudo isto, eu lhes peço o que foi pedido aos americanos em toda a nossa história. Peço a todos que acreditem – não apenas nas minhas habilidades de trazer mudanças, mas na sua habilidade. Eu sei que é possível uma mudança. Porque eu a tenho visto nos últimos 21 meses. Porque na campanha tenho tido o privilégio de testemunhar o melhor da América.

Eu a tenho visto nas filas de eleitores em torno das escolas e igrejas; nos jovens que lançam seu voto pela primeira vez, e os não tão jovens que se envolveram novamente após um longo tempo. Tenho visto nos trabalhadores que preferem a redução das suas horas a ver os seus amigos perderem o emprego; Vejo nos vizinhos que abrigam um estranho quando as inundações chegam; Nos soldados que se realistam após perderem um membro. Eu tenho visto no rosto dos homens e mulheres que eu tenho encontrado em inúmeros comícios e câmaras municipais em todo o país, homens e mulheres que falam de suas lutas mas também das suas esperanças e sonhos.

Ainda me lembro do email que uma mulher chamada Robyn me enviou depois de encontrá-la em Fort Lauderdale, Florida. Alguns dias depois do evento seu filho quase entrou na parada cardíaca, e foi diagnosticado com um problema de coração que só poderia ser tratado com um procedimento que custa dezenas de milhares de dólares. A companhia de seguros se recusou a pagar, e sua família simplesmente não têm esse tanto de dinheiro.

Em seu email, Robyn escreveu,"Só peço isto de você – nos dias em que se sinta tão cansado que não pode nem pensar em dizer uma palavra para o povo, pense em nós. Quando todos aqueles que se opõem a você o deixarem pra baixo, alcance seu mais profundo e volte com tudo".

Ohio, é isso que é Esperança – a coisa interior que insiste, apesar de todos os elementos que provem o contrário, que algo melhor está à espera na próxima curva; que insiste que existem dias melhores à frente. Se estivermos dispostos a trabalhar para isso. Se estivermos dispostos a deixar nossos receios e dúvidas. Se estivermos dispostos a chegar no mais profundo dentro de nós mesmos quando estivermos cansados e voltarmos lutando com tudo!

Esperança! Isso que manteve alguns de nossos pais e avós quando os tempos eram difíceis. O que os levou a dizer, "Talvez eu não possa ir ao colégio, mas se eu juntar um pouco a cada semana meu filho possa; talvez eu não consiga ter o meu próprio negócio, mas se eu trabalhar duro meu filho poderá abrir um só seu". Isso que levou os imigrantes de terras distantes a chegar a estas praias, e contra grandes adversidades esculpir uma nova vida para suas famílias na América; Foi o que levou aqueles que não puderam votar a marchar e organizar-se em defesa da liberdade; O que os levou a clamar "pode parecer escura esta noite, mas se eu mantiver a esperança, amanhã ela será mais clara."

Isso é o que é esta eleição. Essa é a escolha que enfrentamos neste momento. Não acredite nem por um segundo que a eleição está acabada. Não acredite nem por um minuto que os poderosos irão abrir mão do poder. Temos muito trabalho pela frente. Temos de trabalhar como se o nosso futuro dependesse disto nesta última semana, porque depende. Em uma semana, podemos escolher uma economia que premie trabalho e crie novos postos de trabalho e injete prosperidade de baixo para cima.

Em uma semana, poderemos escolher em investir em saúde para as nossas famílias, e em educação para as crianças, em fontes renováveis de energia para o nosso futuro. Em uma semana, podemos escolher esperança sobre o medo, a unidade sobre a divisão, a promessa de mudar o poder do status quo. Em uma semana, poderemos chegar juntos como uma nação, e um povo, e mais uma vez escolher a nossa melhor história. É isso que está em jogo. É isso pelo qual lutamos. E, se nesta última semana, você bater algumas portas por mim, fizer algumas ligações por mim e falar com os seus vizinhos, e convencer os seus amigos; se vocês se juntarem a mim, lutarem comigo, e me derem seu voto, então prometo isto – que não vamos apenas ganhar Ohio, que não vamos apenas ganhar esta eleição, mas juntos, vamos mudar este país e vamos mudar o mundo.

Muito obrigado, Deus vos abençoe, e que Deus abençoe a América. Vamos trabalhar!



TOCANDO EM FRENTE
(almir sater e renato teixeira)

Que Música Maravilhosa
Cantada por Gabriela Rocha (jovem talento)


Cantada por Maria Bethania

terça-feira, 23 de dezembro de 2008





  

Caros Amigos e Amigas, Irmãos e Irmãs, 

É com imensa alegria e satisfação que os convido a adentrarem meu universo particular, viajando comigo nesta aventura de autodescobrimento! Apresento-lhes meu primeiro blog, apresentando minhas idéias, pensamentos, visões, percepções, sentimentos e emoções, num misto de sonhos e realidades, desejos e fantasias, ciências e religiões, belezas e artes, culturas e poesias, vida e complexidade! Sintam-se convividados a partilharem suas vidas por meio de minha própria vida, suas histórias através de minha histórias, suas inquietações em meio às minhas... Vamos partilhar vida e aprendizados já que APRENDER É VIVER! Sejam todos bem-vindos! 




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Aprendo a cada dia um pouquinho a mais do que sou, de quem sou, do que sonho, do que amo, de quem amo! Apenas sei que passo a ser o que Sou a cada respiração, a cada meditação, a cada comunhão com todos os seres que comigo partilham a experiência do Mistério, do Existir, do Ser, do descortinar-se e do brindar o viver! É isto: Sou um Brindador da Vida!