quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
"É nosso dever transmitir a gloriosa experiência dos santos e sábios do mundo. É muito importante que respeitemos os sentimentos e as fés das pessoas de outras religiões. Mas, ao mesmo tempo, devemos também deixar o mundo saber que o Sanatana Dharma (Eterna Verdade) não está confinado a certos indivíduos; é puramente uma experiência subjetiva de grande importância para todo ser humano. Todo mundo é uma personificação dessa grande Verdade.
O Sanatana Dharma não pertence a nenhuma classe, credo ou seita. O mundo deve saber disso. Realmente, o Sanatana Dharma é uma grande fonte de energia e inspiração para toda a humanidade. Como tal, seus seguidores devem trabalhar constantemente pela paz e harmonia do mundo. Então, apenas o sankalpa (resolução) dos Rishis (sábios) se tornará uma realidade. Uma vez que a pessoa entenda o significado da religião, ela não irá mais seguir falsos líderes religiosos. Não irá seguir os conselhos de tal pessoa porque saberá que somente aquele que ultrapassou o ego poderá guiá-la."
"Ver e sentir vida em tudo - isso é Amor. Quando o Amor preenche o coração, a pessoa vê a vida pulsar por toda e em toda a criação. "A vida é Amor" - essa é a lição que ensina a religião. A vida está aqui. A vida está ali. A vida está em toda parte. Não há nada além da vida. Assim, o Amor também está em toda parte. Onde há vida, há Amor e vice-versa. A vida e o Amor não são dois, são um. Mas a ignorância de sua unidade prevalecerá até chegar a Realização. Até lá, a diferença entre o intelecto e o coração continuará a existir. O intelecto sozinho não é suficiente. Para se atingir a Perfeição, para se alcançar a totalidade da vida, é necessário ter um coração repleto de Amor e compaixão. Chegar a conhecer essa verdade é o único propósito da religião e das práticas religiosas."
"Uma pessoa compadecida não vê os erros dos outros. Ela não vê as fraquezas das pessoas. Ela não faz distinção entre as pessoas boas e más. Quando alguém está repleto de Amor e compaixão, essa pessoa não pode traçar uma linha entre países, fés e religiões. Ela não tem ego. Assim, não há medo, cobiça ou paixão. Ela simplesmente perdoa e esquece. Compaixão é como uma passagem. Tudo passa por ela. Nada pode ficar ali, porque onde há Amor genuíno e compaixão, não há apego. Compaixão é Amor expressado em sua totalidade."
"Há amor e Amor. Você ama sua família, mas não ama seu vizinho. Você ama seu filho ou filha, mas não ama todas as crianças. Você ama seu pai e mãe, mas não ama a todos da mesma maneira. Você ama sua religião, mas não ama todas as religiões. Você pode até não gostar de outras fés. Da mesma forma, você tem amor por seu país, mas não ama todos os países e, talvez, sinta animosidade em relação a diferentes povos. Portanto, esse não é o Amor real; é apenas amor limitado. A transformação desse amor limitado em Amor Divino é o objetivo da espiritualidade.
Na plenitude do Amor, brota a bela e perfumada flor da compaixão. Quando as obstruções do ego, o medo e o sentimento de 'outro' desaparecem, você não pode fazer nada, a não ser Amar. Você não espera retorno por seu amor. Você não se importa em receber nada; você simplesmente flui. Quem quer que venha ao rio do Amor será banhado nele, seja a pessoa saudável ou doente, homem ou mulher, rica ou pobre. Qualquer um pode tomar quantos banhos desejar no rio do Amor. O rio do Amor não se importa se a pessoa se banha nele ou não. Se alguém o critica ou insulta, o rio do Amor não percebe. Ele simplesmente flui. Quando esse Amor transborda e é expresso em cada palavra ou ato, chamamo-lo de compaixão. Esse é o objetivo da religião. Uma pessoa que está repleta de Amor e compaixão compreendeu os verdadeiros princípios da religião."
"O amor real é vivido quando não existem condições. Ao existir condição, existirá força. Mas aonde existe amor, nada pode ser forçado. Condições existem apenas onde há divisão. Força é usada onde há dualidade, a idéia de 'eu' e 'você'. Você usa a força por perceber o outro como sendo diferente de você. Mas força não pode ser aplicada quando só existe Um. A própria idéia de força desaparece neste estado. Então, você somente é. A Força Universal corre através de você, você se torna uma passagem aberta. Você deixa a Consciência Suprema tomar conta de você. Você remove os apegos criados por você mesmo, deixando que a corrente do Amor todo-penetrante passe pelo seu curso natural."
*Amma é fundadora da maior obra social do planeta.
Sua Fundação Mata Amritanandamayi Math foi considerada pela ONU, a Organização das Nações Unidas, como “a única organização não-governamental capaz de promover um esforço humanitário completo em larga escala”.
Trata-se de uma imensa rede de atendimento gratuito com modernos hospitais, clínicas, orfanatos, farmácias ambulantes, asilos, creches, pensão para viúvas, construção de casas populares, entre outros programas de combate à pobreza que beneficiam milhões de indianos das classes menos favorecidas.
A Fundação também contempla universidades, escolas, centros de pesquisa e treinamento, institutos de tecnologia, além de projetos de conservação ambiental.
Para se ter idéia da grandeza do seu trabalho, o ex-presidente da Índia, Abdul Kalan – que é muçulmano - doou 10 meses do seu salário para a Fundação.
Em 2005, a Organização das Nações Unidas conferiram à organização da Amma o título de consultor especial, em reconhecimento ao seu notável trabalho de auxílio nas catátrofes e a tantas outras atividades humanitárias.
Os esforços da Amma vão além do auxílio material. Seu objetivo é prover cada aspecto do bem-estar: físico, material, emocional e espiritual, oferecendo aos necessitados uma base sólida para que consigam reencontrar um sentido na vida e enxergar um futuro novamente.
Inspirados pela Amma, inúmeros projetos assistenciais têm sido criados em todo o mundo. A Cozinha da Amma é um deles. Funcionando ativamente em 33 cidades dos EUA e também na Costa Rica, os voluntários servem gratuitamente refeições vegetarianas aos moradores de rua.
Todas as instituições criadas em nome da Amma são mantidas através de doações, vendas de produtos, como livros, cd’s e dvd’s, e o trabalho voluntário de milhares de pessoas, entre discípulos, seguidores e admiradores. Todos com a fé de que o serviço abnegado é capaz de promover uma profunda transformação interna, através do desenvolvimento do amor e da compaixão.
Ensinamentos: Um Conceito Budista de Natureza
DALAI LAMA
Nagarjuna disse que para um sistema onde o vazio é possível, também é possível haver funcionalidade, e desde que a funcionalidade é possível, o vazio também o é. Assim quando nós falamos sobre a natureza, seu princípio é o vazio. O que significa o vazio ou shunyata? Não é o vazio da existência, mas especialmente o vazio da existência verdadeira ou independente, que significa que as coisas existem pela interdependência entre si.
Assim tanto o meio ambiente quanto seus habitantes são compostos de quatro ou cinco elementos básicos. Estes elementos são: terra, vento, fogo, água e vácuo, que é o espaço. Sobre o espaço, no Tantra de Kalachakra há uma menção do que é conhecido hoje por átomo de espaço, partículas de espaço; que formam a força central de todo fenômeno. No início, todo o universo evoluiu desta força central que é a partícula do espaço, e também uma parte deste universo se dissolverá eventualmente nesta mesma partícula. Assim é na base destes cinco elementos que há uma grande interrelação entre o habitat que é o meio ambiente e os habitantes, isto é, os seres senscientes que vivem nele.
Quando nós falamos sobre os elementos, também há elementos internos que existem inerentemente dentro dos seres senscientes; são também de níveis diferentes - alguns são sutis e alguns são brutos.
Assim de acordo com os ensinamentos budistas, a consciência sutil íntima é exclusiva do criador e se consiste das formas mais sutis destes elementos. Estes elementos sutis servem de condições para produzir os elementos internos, que formam os seres senscientes, e que por sua vez causam a existência ou a evolução dos elementos externos. Assim há uma interdependência ou um inter-relacionamento muito próximo entre o meio ambiente e os habitantes.
Dentro do significado da interdependência há muitos níveis diferentes onde as coisas são dependentes dos fatores ocasionais, ou das suas próprias partes, ou da mente conceitual, que realmente é a que designa.
O tópico que nós estamos discutindo hoje é o inter-relacionamento ou a interdependência entre o meio ambiente e os seres senscientes que vivem nele.
Agora veja, alguns dos meus amigos dizem que a base da natureza humana é violenta. Então eu disse a estes amigos que não penso assim. Se nós examinarmos mamíferos diferentes, há animais como tigres ou leões que dependem muito de outra vida para sua sobrevivência básica e, por causa de sua natureza básica têm uma estrutura especial, com dentes e unhas longos. Há também animais calmos tais como os cervos, que são completamente herbívoros e seus dentes e unhas são mais delicados. Portanto desse ponto de vista, nós seres humanos pertencemos à categoria delicada, não é? Nossos dentes e unhas são muito delicados. Então eu disse a estes amigos que eu não concordo com seu ponto de vista. Eu creio que os seres humanos têm uma natureza de base não violenta.
Também, sobre a pergunta da sobrevivência humana, os seres humanos são animais sociais. A fim de sobreviver você necessita de outros companheiros; sem outros seres humanos não há simplesmente nenhuma possibilidade de sobreviver; essa é lei da natureza, essa é natureza.
Creio profundamente que os seres humanos são basicamente de natureza delicada e também penso que a atitude humana com o nosso meio ambiente deveria ser delicada. Conseqüentemente acredito que não somente devemos manter um relacionamento delicado e não violento com outros companheiros humanos, mas também é muito importante estender esse tipo de atitude ao meio ambiente. Eu penso, moralmente falando, que nós podemos pensar assim e nós todos devemos nos preocupar com o nosso meio ambiente.
A partir disso vou expor outro ponto de vista e neste caso não é uma questão de moralidade ou de ética; é uma questão de nossa própria sobrevivência. Não somente esta geração, mas para outras gerações o meio ambiente é algo muito importante. Se nós explorarmos o meio ambiente de maneira extrema, hoje nós podemos ganhar algum benefício, mas a longo prazo nós sofreremos e outras gerações sofrerão. Assim quando o meio ambiente muda, as circunstâncias climáticas também mudam. Quando a mudança é dramática, estruturas econômicas e muitas outras coisas também mudam, ate mesmo nosso corpo físico. Assim você pode ver o grande efeito dessa mudança. Portanto, desse ponto de vista esta é não somente uma questão de nossa sobrevivência individual.
Conseqüentemente, a fim de conseguir resultados mais eficazes e a fim de ter sucesso na proteção, conservação e preservação do meio ambiente, primeiramente penso que também é importante falar sobre o equilíbrio interno dos seres humanos. Desde que a negligência com o meio ambiente - que resultou em muitos danos à comunidade humana - surgiu da ignorância em relação a grande importância do meio ambiente, eu penso que é fundamental introduzir gradualmente este conhecimento dentro dos seres humanos. Assim, é muito importante ensinar ou contar para as pessoas sobre sua importância para seu próprio benefício.
Então, uma das coisas mais importantes outra vez, como eu estou sempre dizendo, é o pensamento que manifesta a compaixão. Como eu mencionei anteriormente, mesmo do ponto de vista de alguém egoísta, você necessita de outras pessoas. Assim, mostrando interesse pelo bem-estar de outras pessoas, compartilhando do sofrimento de outras pessoas e ajudando outras pessoas, no final você irá se beneficiar. Se pensar somente em si mesmo e se esquecer dos outros ao final você perderá. Isto também é algo como a lei da natureza. Eu penso que é completamente simples. Se você não mostrar um sorriso para outras pessoas e mostrar algum tipo de olhar mau ou algo como isso, o outro lado também irá dar uma resposta similar. Não é verdade? Se você mostrar para outras pessoas uma atitude muito sincera e aberta também haverá uma resposta similar. Então é uma lógica bem simples. Todos querem ter amigos e não querem ter inimigos. A maneira apropriada para criar amigos é através de um coração quente e não simplesmente pelo dinheiro ou pelo poder. Os amigos do poder e os amigos do dinheiro são algo diferente. Estes não são amigos.
Um amigo verdadeiro deve ser um amigo verdadeiro do coração, não é assim? Eu estou sempre dizendo para as pessoas que aqueles amigos que lhe vêem quando você tem dinheiro e poder não são seus amigos verdadeiros mas são amigos do dinheiro e do poder. Porque assim que seu dinheiro e poder desaparecer, aqueles amigos também estarão prontos para dizer tchau, adeus. Assim você vê que estes amigos não são de confiança. Os amigos humanos sinceros e verdadeiros sempre compartilharão de seu sofrimento, suas aflições e irão sempre vir a você, não importando se você é bem sucedido ou azarado. Assim a maneira de conquistar um amigo verdadeiro não é pela raiva, nem pela educação ou inteligência, mas pelo coração - um bom coração. Assim, como eu sempre digo se você pensar em uma maneira mais profunda, se você for egoísta então você deve ser sabiamente egoísta, não um egoísta limitado pela mente. Desse ponto de vista, a coisa chave é o sentido da Responsabilidade Universal, que é a verdadeira fonte da força e da felicidade.
Desta perspectiva se em nossa geração explorarmos tudo o que está disponível: as árvores, água, recursos minerais ou qualquer outra coisa sem nos importarmos com a geração seguinte, com o futuro, isso é nossa culpa, não é? Assim se nós tivermos um sentimento verdadeiro de responsabilidade universal baseando o centro da nossa motivação e dos princípios, as nossas relações com o meio ambiente serão bem equilibradas. Isto é similar ao equilíbrio dos aspectos dos relacionamentos, das nossas relações com vizinhos, com os vizinhos da nossa família, ou com os vizinhos do nosso país.
Realmente, contado também em versos antigos, muitos grandes pensadores assim como grandes mestres espirituais foram produzidos neste país, a Índia. Assim, eu sinto em épocas modernas que estes grandes pensadores indianos, tais como Mahatma Gandhi e alguns políticos executaram idéias nobres como o ahimsa na arena política. Em uma determinada maneira a política estrangeira da Índia de não-alinhamento é relacionada também com aquele tipo de princípio moral. Assim creio ser neste país muito relevante e importante uma grande expansão ou um desenvolvimento além destas idéias ou ações nobres.
Agora em respeito a isso, uma outra coisa que eu sinto ser importantíssima é o que é consciência, o que é mente? Até agora, eu penso especialmente no mundo Ocidental, durante o último ou penúltimo século onde a ciência e a tecnologia foram muito enfatizadas e trataram principalmente da matéria.
Hoje alguns dos físicos nucleares e neurologistas começaram a investigar e analisar partículas em uma maneira muito detalhada e profunda. Ao fazerem isso encontraram algum tipo de participação do lado do observador que chamam às vezes de "o conhecedor". O que é "o conhecedor"? Falando de uma maneira simples é o ser, o ser humano, como cientistas através de que maneira os cientistas sabem? Eu penso que é através do cérebro. Agora em relação ao o cérebro os cientistas ocidentais ainda não identificaram completamente as mais de cem bilhões das células cerebrais. Creio que de cem bilhões somente algumas centenas foram identificadas até o momento. Em relação à mente, se você a chama de mente ou de uma energia especial do cérebro, ou de consciência, você verá que há um relacionamento entre o cérebro e a mente e entre a mente e a matéria. Isto eu penso ser muito importante. Eu sinto que deveria haver algum tipo de diálogo entre a filosofia oriental e a ciência ocidental na base do relacionamento entre a mente e a matéria.
Em todo o caso, hoje nossa mente humana está procurando muito ou está muito envolvida com o mundo externo. Eu penso que nós estamos perdendo ao não nos importarmos e ignorarmos o mundo interno.
Nós necessitamos de desenvolvimento científico e material a fim de sobreviver, de ter benefícios e mais prosperidade. Igualmente necessitamos da paz mental. Nenhum médico pode nos injetar a paz mental: nenhum mercado pode vender a paz mental ou a felicidade. Com milhões e milhões de rúpias você pode comprar qualquer coisa, mas se for a um supermercado e dizer eu quero a paz mental as pessoas irão rir. E se você pedir a um médico: quero a verdadeira paz mental, não tediosa, você poderá conseguir um comprimido para dormir ou alguma injeção. E embora você consiga descansar o resto não estará no caminho correto, certo?
Portanto se você quiser a verdadeira paz ou a tranquilidade mental o médico não poderá fornecê-las. Uma máquina como o computador, por mais sofisticado não pode fornecer paz mental. A paz mental deve vir da mente. Todos querem a felicidade e o prazer. Agora, compare o prazer físico e a dor física com a dor mental ou o prazer mental e você descobrirá que a mente é superior, mais eficaz e dominante. Assim sendo deve-se aumentar a paz mental através de determinados métodos. A fim de fazer isso é importante conhecer mais a mente, o que considero fundamental.
Quando você diz meio ambiente, ou preservação do meio ambiente, isto está relacionado com muitas coisas. No final das contas a decisão deve vir do coração humano, não é verdade? Creio que o ponto chave é o verdadeiro sentido da responsabilidade universal, baseado no amor, na compaixão e numa consciência límpida.
(Transcrito de um palestra no dia 4 de Fevereiro de 1992, em Nova Deli, Índia. Traduzido por Thilie Sproesser e revisado por Arnaldo Bassolli.)
domingo, 15 de fevereiro de 2009
01 – Espíritas autênticos: esforçados, que gastam e se desgastam, doam-se, fazem o tempo, geram a oportunidade, honram o espiritismo : são progressistas ! | 01- Espíritas exploradores: das energias dos trabalhadores autênticos, não gastam e nem se desgastam, são encostados, comodistas, desculpistas, sem tempo... |
02 - Dirigentes, médiuns e auxiliares: preparados e humildes, com tolerância auxiliam sempre, produzem qualidade, são médiuns de verdade, aliviam e curam. | 02- Dirigentes, médiuns e auxiliares: vaidosos, orgulhosos, criadores de casos, ortodoxos, e ditadores , produzem mediocridade, intolerantes, atrapalham, médiuns-biscate. |
03- Certeza e segurança: nas tarefas da caridade, com conhecimento e experiência, adquirida com suor, sabem o que fazem, tem certeza... | 03- Incertos e inseguros: nas tarefas da caridade, não assimilam, exigentes e inconseqüentes ainda ciumentos prejudicam elogiando aos esforçados. |
04- Vencem os vícios: mesmo penosamente, tem objetivo definido, limpa-se, afastam-se de simbioses inferiores, transferindo bons fluídos. | 04- Mantém os vícios: comprazem-se, não tem objetivo de vida, sujam-se, mantém o vampirismo inferior, prejudicam sua mediunidade e aos necessitados. |
05- Presentes e dedicados: não faltam, são pontuais, organizados, despachados, superam os problemas, trabalham sempre, exemplificam suas palavras. | 05- Ausentes e com problemas: exercitam a dependência, são problemas, peso a arrastar, queixosos cansam-se depressa, não se pode contar com eles, não tem exemplo! |
06- Estudam e compram livros: são eternos estudiosos, vivem lendo, tem biblioteca, são fontes de saber, aprendem e redistribuem, geram luz... | 06- Não lêem e não compram livros: detestam leitura, não gastam com livros, procuram aprender comodamente de outrem, tem preguiça mental, não redistribuem, sombras. |
07- Mãos cheias: vão ao Centro Espírita com doutrina preparada, com mediunidade harmonizada, vem para trabalhar, sabem auxiliar eficientemente. | 07- Mãos vazias: vão ao centro espírita por hábito, sem preparação, apenas fazem número, vem mais para aliviar-se, auxiliam precariamente. |
08- Equilibram-se: através do estudo e trabalho espiritual com persistência, ano após ano, com paciência, fraternidade, tornando-se competentes... | 08- Vivem perturbados: habituam-se à perturbação obsessiva, não tem persistência e nem paciência, vivem em ansiedade, em confusão, perturbam o ambiente... |
09- Tem chance: porquanto estudam e trabalham incessantemente, evangelizam-se diuturnamente, obtém merecimento, tem apoio para redistribuir. | 09- Não tem chance: os que são ociosos, omissos e aproveitadores, cuja ma colheita ser-lhes a obrigatória, estacionam, mantem-se vazios. |
10- Atendimento bom: com definições, bem orientado, gerando confiança e esperança, aos necessitados... | 10-Atendimento medíocre: sem definições, vago e desorientado, mantém a desesperança nos necessitados... |
Mensagem: "O trabalhador formado (capacitados) para o serviço (no Espiritismo) é valor de vanguarda (bem assistido) conclamando à renovação geral (reforma interior com o CRISTO)". Emmanuel. Fonte: Cartas do C | |
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Nessa entrevista exclusiva ao informativo Cultura para Paz, o monge Naradananda, discípulo de Paramahansa Yogananda, explica os benefícios da meditação para o nosso dia-a-dia. Seu mestre, Paramahansa Yogananda, autor do livro Autobiografia de um Iogue – é considerado um dos maiores instrutores espirituais da atualidade e foi um dos primeiros mestres da Índia a trazer para o Ocidente as técnicas milenares da ciência da meditação.
Nascido em 1893, em Gorakhpur, no norte da Índia, Yogananda passou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos, onde escreveu extensivamente sobre a arte de viver em harmonia e onde fundou aSelf-Realization Fellowship, que tem a finalidade de disseminar e preservar a pureza e a exatidão dos seus ensinamentos para a posteridade. O monge Naradananda é membro da Ordem Monástica da Self-Realization Fellowship há mais de 35 anos e esteve recentemente em visita ao Brasil, dando palestras e iniciação emKriya Yoga, uma técnica científica e avançada de meditação.
Vejam como está o mundo hoje. Será que as pessoas são felizes? Estão satisfeitas? Estão seguras? Vejam como se encontra a economia! Vejam o que está acontecendo nestes dois últimos meses! Algumas pessoas perderam todos os seus bens.
Acho que as pessoas estão, cada vez mais, procurando algo diferente daquilo que os bens materiais podem lhes oferecer, porque se dão conta de que essas coisas não são suficientes para lhes fazer felizes!
Deparamo-nos com muitas coisas ruins, as absorvemos e elas impressionam nossa mente, causando bastante tensão. As pessoas não foram treinadas para lidar com esse tipo de situação. De um lado, há inteligência, há talento, mas, por outro, há demasiada pressão para desenvolver esses talentos. A pessoa se questiona: “Como posso ser feliz com tanta pressão? Preciso cuidar da minha família, quero ter uma carreira próspera, mas há muita pressão ao meu redor!”
Nos séculos passados, havia mais harmonia, mais calma, maior possibilidade de convivência com a natureza. Hoje em dia, a tendência é a de acumular muitas coisas externas para distrair nossa atenção e tirar nossa calma. Precisamos de uma “trégua”, precisamos relaxar. Estamos muito tensos. É por isso que as pessoas procuram algo que lhes proporcione verdadeira paz, que afaste a tensão, que possa trazer realização perene. E temos, para isso, a meditação ao nosso alcance.
Paramahansa Yogananda previu que isto ocorreria: toda essa preocupação que estamos vivendo atualmente. Então, por isso, penso que a Ioga e a meditação oferecem alívio às coisas que estão ocorrendo.
Qual é o objetivo principal da Self-Realization Fellowship?
O objetivo principal da Self-Realization Fellowship, estabelecido pelo nosso fundador, Paramahansa Yogananda, é disseminar, no mundo inteiro, os ensinamentos para o aprendizado da meditação. Só assim poderemos compreender que somos mais do que este corpo físico, mais do que a mente, que temos uma centelha divina residindo em nosso corpo, a alma, que faz com que possamos ter controle sobre o nosso corpo.
O objetivo principal da meditação é ter a experiência de Deus. Todos nós podemos descobrir isso se fizermos o esforço, mesmo neste mundo tão agitado. Iremos encontrar dentro de nós o amor, a alegria, a paz, a calma e a segurança. Paramahansa Yogananda chamou isso de “paraíso portátil”. As técnicas de meditação que ele nos ensinou permitem que possamos nos interiorizar e sentir que somos almas, que somos filhos de Deus e que temos o direito, como têm os filhos de quaisquer pais, de receber Dele essa atenção, ou seja, de poder sentir a presença de Deus aqui e agora.
Paramahansa Yogananda nos ensinou, no entanto, que a meditação é metade da batalha e que a outra parte é aprender a amar a Deus. Ou seja, desenvolver a devoção, que nos motiva a percebermos que Deus é amor e que o nosso maior objetivo é o amor. Queremos o amor e queremos ser amados. Deus é esse amor supremo. Então, assim que tivermos isso, estaremos plenamente satisfeitos.
Além das técnicas, Paramahansa Yogananda nos deu outro método: o do caminho equilibrado. E como é esse princípio? Como podemos conduzir nossas vidas em meio a tantas circunstâncias diferentes? Podemos começar através da alimentação, do exercício físico e da redução da tensão. Experimentamos tensão física, mental, psicológica – muitas coisas que precisam ser eliminadas. Yogananda nos deixou ensinamentos para nos ajudar a ser felizes. E é isto que queremos: ser felizes. Mas queremos ser eternamente felizes. Esta é a chave. Podemos ter vestígios de felicidade, mas ela não é permanente.
Precisamos ter o conhecimento mais profundo de nós mesmos como almas e perceber que Deus é quem nos dará essa felicidade duradoura – uma felicidade que ficará conosco não apenas nesta vida, mas em outras também.
O que faz com que a Kriya Yoga seja considerada uma técnica de meditação avançada?
Paramahansa Yogananda diz que normalmente levam-se anos para se obter apenas um pequeno desenvolvimento ou avanço espiritual. Esse “avanço” se encontra inter-relacionado à coluna vertebral, onde existem diversos centros de energia vital que executam diferentes funções no corpo. Com a Kriya Yoga nós aprendemos a controlar certas correntes de energia e fazer com que elas circulem em volta desses centros através de métodos que têm essa finalidade. Por meio dessa prática, aprendemos a acalmar naturalmente a nossa respiração, a reduzir os batimentos cardíacos – o que, essencialmente, fazemos no sono. Quando dormimos, a energia retorna à coluna vertebral e ao cérebro, mas isto é feito inconscientemente. Por que nos sentimos descansados quando dormimos? Porque, inconscientemente, entramos em contato com nossa verdadeira natureza. Mas, também podemos fazer isso conscientemente, pela prática da Kriya Yoga.
Esse é o objetivo principal dessa técnica, praticando-a regularmente e de forma consciente, somos capazes de experimentar mais a paz e a alegria que sentimos quando dormimos. Quando dormimos profundamente, sabemos, ao acordar, que tivemos um sono tranqüilo porque nos sentimos revigorados. Dizemos que é porque dormimos bem, mas não sabemos o que aconteceu. Com a meditação, vocês realizam isso com a consciência do que está acontecendo.
Como podem a prática da Ioga e dos ensinamentos da SRF contribuir para a paz mundial?
A alma, nossa verdadeira natureza, faz parte de nosso ser, no seu estado natural. A paz, a calma, a serenidade são o oposto da agitação, das lutas que estão em conflito com a alma e que imperam no mundo. Obviamente, há países, religiões e vários fatores diferentes que contribuem para esses conflitos. Quando, porém, por meio da meditação começamos a perceber que existe nas outras pessoas algo – uma essência – que “se parece comigo” e quando procuramos saberquem elas realmente são, entramos em contato com aquele verdadeiro ser que brilha dentro de cada um de nós. Quando compreendemos isso, há uma manifestação natural de paz, de calma e percebemos as pessoas como irmãos ou irmãs, porque podemos sentir que somos almas como elas próprias são. Não enxergamos apenas um país distinto, com suas diferenças sócio-políticas, ou uma religião em particular, com seus rituais ou dogmas; podemos ver e aceitar a todos num contexto muito mais amplo, numa expansão de consciência.
Quando meditamos, isto realmente acontece. A meditação expande a consciência humana tornando-a divina. Paramahansa Yogananda fala disso naAutobiografia de um Iogue. Ele explica que já estamos na era atômica e fala dessa energia em particular, de como ela pode ser canalizada de forma construtiva. A meditação é o meio de utilizarmos essa energia para o nosso benefício e para o bem de todos.
Como conheceu a Self-Realization Fellowship e por que resolveu tornar-se monge?
Nasci no centro dos Estados Unidos da América, exatamente no sul de Chicago, em uma fazenda. Cresci em meio à natureza. Como todos os jovens, fui à faculdade e me formei. Nos anos 1970, havia um grande interesse pela Ioga. Dei-me conta que, apesar de ter um diploma de bacharel, não me sentia totalmente feliz. Tinha uma carreira, queria ter dinheiro, mas também pensava: “preciso viver”. Já tinha lido algo sobre a Ioga, quando, ao ler uma revista, vi um anúncio sobre a Autobiografia de um Iogue e pensei: “Isto parece interessante.” Encomendei o livro e três dias depois, já tinha acabado de ler.
Percebi que na capa do livro havia uma nota dizendo que era possível solicitar lições para aprender a meditação. Parecia como um barco salva-vida. Era aquilo que precisava e queria. Mas, ao mesmo tempo, sabia que Paramahansa Yogananda era um monge e tinha lido um pouco sobre a sua ordem monástica. Podem chamar isto de “impulso” – porém, havia dentro de mim, um sentimento muito forte, que me dizia que não poderia realmente ser feliz a menos que fizesse aquilo 100%; não poderia ser 50%; não poderia ser 75%. Precisava fazer aquilo 100%. Pode parecer engraçado, mas quando escrevi à Self-Realization Fellowship para pedir as lições, disse no segundo parágrafo: “A propósito, gostaria de ser monge!”
Muito cortesmente, responderam: “Recomendamos, mas, antes de qualquer coisa, deve começar a praticar as lições.” Levou mais ou menos três anos antes de conseguir entrar no ashram. Mas mantive o desejo. E não me arrependo!
O senhor mora num ashram? Como é o cotidiano da comunidade?
Moro atualmente em um ashram que é um dos mais novos da SRF, fundado em 1980, chamado Hidden Valley. Está situado no leste da Califórnia, perto de San Diego e Encinitas. É um ashram para homens que desejam experimentar a vida monástica, sem precisar assumir esse compromisso. É também um retiro espiritual, onde as pessoas podem vir passar os finais de semana, ou ficar até por três semanas.
O ashram fica no interior, longe da cidade, na natureza; é muito sossegado. Sou muito feliz. Estou de volta aos meus dias na fazenda, quando era criança.
Um dia típico no ashram é assim: acordamos aproximadamente às 5:30h da manhã. Realizamos uma meditação individual e depois uma meditação em grupo. Após o café da manhã, iniciamos as tarefas. Como moramos em uma fazenda, há muitas tarefas típicas de qualquer estabelecimento ligado à agricultura como, por exemplo, cuidar de árvores, das plantas, dos jardins, etc. Temos também jardins para meditação, dos quais cuidamos, eliminando as ervas daninhas, podando arbustos, plantando flores, etc. Como dispomos de uma grande área, alguns cuidam também da manutenção dos edifícios e do conserto de carros, tratores e ferramentas.
Alguns realizam tarefas na cozinha. Eu trabalho no escritório, coordenando as tarefas administrativas deste ashram em particular. Dentro de nossa rotina monástica, estão incluídos aconselhamento aos visitantes e residentes, ao ar livre. Ao meio dia, praticamos uma meditação em grupo e depois almoçamos. Voltamos às nossas tarefas até às 16:30h, quando temos um período de recreação onde jogamos vôlei, praticamos hatha yoga ou qualquer outra atividade física. O ashram oferece muito espaço ao ar livre, onde podemos caminhar, correr e fazer diversas coisas em conexão com a natureza. No final da tarde, após um jantar leve, realizamos novamente uma meditação em grupo, seguido de um período para estudo e meditação pessoal, antes de nos recolhermos.
Nos finais de semana, temos serviços de meditação com duração mais longa. Tudo isso proporciona muito equilíbrio. Procuramos praticar o silêncio o maior tempo possível – não apenas silêncio pelo silêncio em si, mas praticar o silêncio como fazia o místico católico do século XVII Irmão Lourenço – isto é, falar com Deus interiormente, praticando a presença Dele em nossas vidas. Isto nos ajuda muito.
Entrevista exclusiva fornecida ao Informativo Cultura para a Paz - Omnisciência, durante a visita monástica da Self-Realization Fellowship ao Brasil, em outubro de 2008. Pede-se a citação da fonte para a reprodução dessa entrevista.
Conheça os grupos de meditação e retiros da Self-Realization Fellowship no Brasil:
http://www.selfrealizationfellowship.com/temples/index.html
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
A contribuição de Freud para o esclarecimento do fenômeno político
Não pretendemos abordar as relações entre Psicanálise e Política, mas, a contribuição de Freud para o esclarecimento do fenômeno político. Isso significa limitarmo-nos a seu universo discursivo, sem ampliar a análise do político, abrangendo as várias correntes psicanalíticas, de Reich a Adorno, de Guatari a Lacan. A volta de Freud significa a preocupação em compreender a sua contribuição específica ao estudo do fenômeno político, sua pertinência e atualidade.
Durante mais ou menos um século, o estudo do “político” centrou-se nas instituições. Fourier esperava que, através delas, o vício individual se transformasse em virtude social.
A preocupação de Freud com o “social” se acentua após o impacto da Primeira Guerra. Nos seus dois ensaios a respeito, um escrito em 1915 e outro em 1922, procurou ele mostrar a hipocrisia da sociedade moderna, a coerção social funcionando e o caráter primário das tendências agressivas. Impressionado, como Max Weber, com o empobrecimento da vida, ele valoriza, inicialmente, a guerra como alternativa ao conceito convencional de morte, porem, a guerra condicionou seu interesse o estudo da agressão, como o câncer que o vitimaria, levou-o a aprofundar o conceito de “instinto de morte”.
Admitindo que o nosso inconsciente mata, mesmo por motivos insignificantes, vê na eclosão da guerra uma prova disso. Os homens não desceram tão baixo por ocasião da guerra, dizia ele, porque nunca estiveram tão alto como pensavam achar-se. assim, o homem renuncia a seus instintos agressivos substituindo-os pelas agressões estatais, o Estado proíbe ao indivíduo infrações, não porque queira aboli-las, mas sim, para monopolizá-las.
A autenticidade e espontaneidade podem andar vinculadas ao instinto da morte. Pode a pessoa “autenticamente” matar alguém e “espontaneamente” apertar o botão que despeja centenas de bombas, espalhando a morte. Embora admitisse a existência de soluções culturais; sugere a existência de uma autoridade universal para julgar os conflitos de interesse entre as nações.
A sua admissão da existência de uma agressividade “inata” não o impediu de considerar os meios indiretos de satisfação. O ódio básico em Freud, é fundido com as tendências sociais na medida em que o indivíduo amadurece.
Hobbes e Freud
Como Burke, admite a Freud a positividade das restrições sociais que nos livram da escravidão às paixões.
Enquanto, para Hobbes, o homem natural é egoísta, em Freud também o é, com a diferença de que ele tem necessidade social. Enquanto, para Hobbes, o homem segue a lei da astúcia e da força, Freud reconhece a sua existência, porém, afirma, concomitantemente, a existência do amor e da autoridade, daí a ambivalência. A figura do contrato social, em Hobbes, Locke e Rousseau, era para explicar a legitimidade original da sociedade capitalista. Para Hobbes, o pacto social funda-se na existência do medo, que torna o homem prudente.
Para Freud, a sociedade política corresponde ao desejo irracional do homem em restaurar a autoridade; com a morte do pai primitivo, surge no homem a “nostalgia do pai”. Para ele, o governo não surge de um contrato social, mas, de uma resposta contra-revolucionária, que emerge após a queda do governo patriarcal e representa o desejo majoritário dos cidadãos-irmãos, não é uma manifestação de prudência do grupo. Os mitos do contrato social, no universo psicanalítico, podem ser vistos como reafirmação da vontade do pai acima dos impulsos rebeldes dos filhos.
O contrato social, na medida em que significa o ingresso da sociedade na organização política histórica, representa a aceitação da derrota da maioria, ela que, mediante a restrição exogâmica de novas conquistas sociais, ninguém pode alcançar outra vez o supremo poder do pai, embora todos tivessem lutado para isso. Na forma de horda, família ou governo, para Freud o que existe é o controle da liberdade de ação. A existência da lei mostra a força dos desejos ocultos, a existência de uma necessidade interna, que a consciência desconhece. Daí Freud reconhecer que o desejo funda a necessidade da lei. O caráter complexo dos desejos explica a complexidade das interdições sociais.
As proibições
Freud relaciona as proibições auto-impostas, mediante as quais os neuróticos controlam os impulsos proibidos com as complicações rituais, mediante as quais os povos primitivos se defendem da “desordem”, os sentimentos libertários que possam surgir originam auto-controles compensadores, e esses, por sua vez, a renúncia a uma posse ou liberdade entendida como repressão e objetivada como tabu ou lei. A ambivalência, o tabu significam a existência de uma dialética que oscila entre repressão e rebelião; essa leva a nova repressão. A luta entre a lei e o impulso só pode ser sintetizada pelo “ego”. A liberdade procurada é a liberdade para se tornar um amo. Os impulsos conscientes de rebelião, para Freud, originam-se na inveja. O desejo de poder pe contagiante, todos querem ser reis. O excessivo respeito, a cortesia, e as regras estritas de etiqueta em relação ao “chefe” são derivadas do “medo de tocar” do primitivo, segundo Freud, medo de contatar pessoas pelas quais sente hostilidade inconsciente, sejam chefes, mortos ou recém-nascidos. Para ele, todos os gestos de submissão são ambivalentes, daí o respeito e o afeto esconderem hostilidade inconsciente. Freud venera quem estabelece regras como Moisés e simpatiza com que as contraria, como Ricardo III. Todos nós sofremos alguma ferida narcisista, daí a nossa simpatia para com ele.
Ao produzir Psicologia das Massas e Análise do Eu, Freud estava abandonando o evolucionismo linear de Totem e Tabu e a preocupação pelas origens pré-históricas cedia lugar à análise contemporânea. Essa preocupação transparece no seu texto Novas Contribuições à Psicanálise, onde relata seu conhecimento da obra de Marx. Embora reconhecendo que as pesquisas de Marx sobre a estrutura econômica da sociedade e a influência das distintas formas de economia sobre a vida humana impuseram-se com indiscutível autoridade, mantém seu ponto de vista, segundo o qual as diferenças sociais se originaram por diferenças raciais. Assim, para Freud, fatores psicológicos, como o excesso de tendências agressivas constitucionais, a coerência organizatória da horda e a posse de armas, decidiram a vitória; os vencedores se transformaram em senhores e os vencidos em escravos; isso exclui o domínio exclusivo dos fatores econômicos. Na sua crítica a Marx, partia ele do conceito de ato econômico como “ato puro”, difundido pela Escola Clássica.
Freud não só se preocupava com a herança de Marx, como, também, com o fenômeno da ascensão das massas após a revolução industrial, para tanto, fundado em Gustavo Le Bon, a quem corrigia em algumas particularidades, procurava estudar as vinculações da massa com o líder. Para Freud, a relação política básica consistia numa relação erótica, da massa com a autoridade. Para ele, a autoridade sempre existe personificada. A horda supõe um chefe, o hipnotizado, um hipnotizador, o amor, um objeto, a massa, um líder. Para ele a condição de líder exige que este se aparte de seus subordinados e, ao mesmo tempo, evite que eles o abandonem. O líder atua como um “centro” para organizar vidas que procuram um sentido. Porém, situações de pânico e desorganização social podem levar a massa a reorientar-se em torno de novos líderes. Para Freud, o líder toma a forma de pai perseguidor, como o pai primitivo, ou perseguido como Cristo. O líder aparece como figura segura de si, com poucos vínculos libidinosos; a sua vontade é reforçada pela dos outros. Freud vê toda a atividade política, sem distinção, como influenciada pela autoridade. Segundo Freud, isso dá um sentido permanente às manifestações de autoridade.
A psicologia
Sua psicologia tem implicações conservadoras no caso. Assim, na História não há acontecimentos qualitativamente diferenciados. O líder na figura de pai e seus seguidores, enquanto filhos, tornam a luta política uma luta geracional. Na ambivalência, as mudanças sociais se tornam recorrências e as relações sociais só tem sentido pelas necessidades psicológicas que preenchem. A crítica social é desvalorizada, na medida em que é vista como manifestação da ambivalência geral das emoções. A desconfiança dos governados ante o poder não se dá por uma visão nacional de suas vitórias e fracassos, mas como expressão de sentimentos hostis. Freud vincula o fenômeno político aos delírios paranóicos, no exagero da importância de uma pessoa. Partir da participação libidinal é, para ele, decifrar a genética do poder. Totem e Tabu e Psicologia das Massas mantém uma visão liberal clássica: o indivíduo ante o Estado, sem ninguém como permeio, nenhum grupo intermediário. Para Freud, o governante tem verdadeiro poder mediante atribuição ilusória de seus partidários.
A imagem freudiana do pai, como modelo de autoridade, vincula-se diretamente à idéia, que, na sociedade ocidental, qualquer tipo de autoridade está submetido a pressões e crises. A atitude psicanalítica reforça o distanciamento à crítica do conceito de legitimidade, muito desenvolvida nas ciências sociais.
Para ele, a esfera política opera como extensão da esfera particular, a veneração exagerada do homem público é vista como recorrência da admiração do filho pelo pai. Quanto mais carente de atenção e afeto, nas relações pessoais, tanto mais tende a personalidade a “externalizar-se” à esfera pública; nessa procura de aceitação, amor e cumplicidade. Não é possível o fanatismo na política, quando o partidário reconhece no seu líder o deslocamento da imagem paterna, da mesma forma como o crente fraqueja quando analisa sua conduta religiosa com destino à ilusão. Freud realiza uma crítica da política na media a que vincula neurose e poder, sintetizados em Ricardo III. Freud colocou em xeque o exercício ‘livre’ da cidadania, na medida em que descobriu o quanto de ‘irracional’ esconde a conduta do cidadão médio.
O conselho de Laswell
Isso levou um político psicanalítico, Laswell, a aconselhar o liberalismo medicinal, vinculando o exercício da liderança democrática à saúde e não à doença.
Visualizar o fenômeno político, como expressão da esfera individual, em sua dimensão subjetiva, e tendo como fundamento a ansiedade, pode levar a negar a situação política objetiva. Da mesma forma, o protesto social, na visão psicanalítico política, pode ser visto como sintoma neurótico, abrindo espaço à Psiquiatria considerar a sociedade conforme as malhas do modelo médico mais autoritário: o modelo hospitalar clássico.
Ao rechaçar o maniqueísmo ingênuo, que consiste em rotular como “boa” ou “má” tal ou qual política, a Psicanálise vincula como “soluções dramatizadas”, de uma temática que tem a sua gênese na vida pessoal.
O governante tem o verdadeiro poder, mediante a atribuição ilusória de seus partidários.
A imagem freudiana do pai, como modelo de autoridade, vincula-se diretamente com a idéia de que na sociedade ocidental qualquer tipo de autoridade será submetido a crises.
A atitude psicanalítica reforça o distanciamento ante a autoridade. Freud agrega a contribuição da análise psicanalítica à crítica do conceito de legitimidade, já muito desenvolvida nas ciências sociais. Para Freud, a dimensão política é uma extensão da esfera privada; assim, a veneração exagerada ante o homem público é uma recorrência da adoração do filho pelo pai. Freud considera a personalidade pública como um carente de atenção e afeto, derivado das relações pessoais.
Dessa forma, não é possível o fanatismo político quando o partidário reconhece, no seu líder, o deslocamento da imagem paterna; o crente, a fraqueza, quando analisa sua conduta religiosa, endereçada à ilusão. No fundo, Freud realiza uma crítica da política, na medida em que, fundado em Ricardo III, vê no homem que exerce o poder um neurótico. Por outro lado, funciona o mecanismo de identificação, daí as dinastias de poder dos Roosevelt aos Kennedy. A psicanálise colocou em xeque o exercício “livre” da cidadania na medida em que descobriu o muito de “irracional” na conduta do cidadão médio, daí, um político; logo, como Laswell aconselhar um liberalismo medicinal.
A grande receptividade da Psicanálise nos EUA constitui no fato dela postular a vinculação das idéias de mudança social à conduta neurótica, assim, revolucionário, seria aquele que estivesse em rebelião contra o seu pai. O público e o aspecto social mascaram “conteúdos latentes”, as ideologias revolucionárias seriam “racionalizações” de complexo edípicos.
Como confidente das fantasias e desejos do homem, Freud aprova o caráter repressivo da sociedade. Enquanto sugere uma atitude conciliadora da mesma ante os instintos, admite que seus interesses conflitam com o indivíduo. Assim, a debilidade, credulidade e passividade das massas é acompanhada pela aquisição de poder pelos líderes políticos. Segundo Freud, por natureza, os homens são incapazes de esforço contínuo, de um trabalho regular e planejado, porém só ele é fonte de independência e maturidade.
Isso é privilégio de algumas minorias, daí não esconder Freud a sua admiração pelas minorias que sabem o que querem. Na sua Novas Contribuições à Psicanálise, ele imagina a existência de um pequeno grupo de homens de ação, imbatíveis em suas convicções e impermeáveis à dúvida e ao sofrimento, como condição de regeneração social. No mesmo estilo, em carta a Einstein imagina ele uma espécie de República Platônica, cujos governantes se constituam como comunidade subordinando sua vida instintiva à ditadura da razão.
Para Freud o homem se compõe de uma estrutura instintiva básica, daí tentativas de supressão da opressão política; para ele, resultariam na troca de um autoritarismo por outro. Embora admita que a massa possua qualidades éticas acima da norma, isso não basta para redimi-la do fato, de que, o calor do companheirismo entre seus pares anule a racionalidade do comportamento. Na medida em que a sociedade mantém sua coesão graças ao sentimento de dependência e respeito pelo líder, possuí um fundamento autoritário. A sociedade para Freud é sempre uma sociedade de desiguais, a igualdade é vista como utópica. Freud, parte do pressuposto liberal, que, sem a desigualdade erótica, a escassez e competição erótica, parcialmente sublimada em benefício da sociedade, não faltariam antagonismos e identificações que a mantivessem unidas. Se trocarmos a recompensa econômica pela emocional, veríamos Freud como aquele que traduza linguagem da economia clássica em código ético moral. O ethos liberal subjacente a Freud transparece na sua admissão da desigualdade como um “destino”, sua resignação ante a fatalidade da existência da autoridade, buscando sua adequação ao social nunca sua abolição. Por sua vez, ao comparar a autoridade pública à paterna, a massa à crianças, destrói qualquer idealização da autoridade pública. A analogia entre a estrutura familiar ao Estado e sua técnica analítica encaminhada à emancipação dos vínculos familiares, constitui-se numa crítica ao “respeito” social e político.
Como o comportamento político tem raízes inconscientes, a política dever ser a catarse das massas, com função idêntica à arte no plano individual. Assim, nas guerras as nações postulam interesses como “racionalizações” de suas paixões; a ação coletiva representa regressão à barbárie; assim, o Estado se permite atos que o indivíduo jamais o faria. A maior parte das decisões “heróicas” se dá sob o signo do instinto da morte. Freud critica o Estado na medida em que o identifica com as massas, vendo-o como um ídolo que esmaga cegamente a consciência individual. Quando condena o caráter repressivo da sociedade política, o faz na medida que a categoria indivíduo constitui o fundamento de seu discurso e assegura a unidade de seus pontos de vista.
Para o fundador da Psicanálise, a política era algo que ocorria na psique dos indivíduos, daí sua psicologia ser tanto individual como social, visto essa como “externalização” de fantasias e desejos pessoais. O interesse pelo social, tem como base o individual. A psicoanálise freudiana se insere na tradição liberal da defesa do indivíduo.
No intuito de domar o indivíduo associal, Freud reconhece a importância civilizadora da sociedade, porém, encara suas exigências sob o ângulo da “renúncia”. Nega o conceito organicista, segundo o qual os indivíduos se realizam através da Igreja, comunidade sagrada ou Estado. A visão freudiana comparte a noção segundo a qual a sociedade significa sempre sacrifício da individualidade, neste sentido, amplia as posturas de Nietzsche e Max Sttirner a respeito do “único”. Daí sua tentativa terapêutica em separar as paixões particulares de sua transferência neurótica sobre a autoridade. Seu tema gira em torno do custo sacrifício da liberdade individual à tirania social. encara o auto-sacrifício como doença. Sua tarefa consiste em controlar o custo entre o princípio de prazer (satisfação) e o princípio de realidade (renúncia), nisso define-se a Psicanálise como terapia e doutrina.
Procura defender o indivíduo da submissão inevitável a preceitos comunitários, mediante a análise do fundamento destes e sua gênese. Nesse sentido, sua doutrina é a realização do liberalismo, onde a medicina atua como mediadora entre o conflito individual e a coerção social, analisando esta nos momento em que coíbe aquele outro. O interesse pelo indivíduo, herdado do romantismo, traz consigo uma visão elitista. Seus sujeitos são os “cultos” que alcançaram sua individualidade reconciliando-se com seus instintos, é a maturidade como meta de chegada da existência. Perfila o tipo do homem racional, prudente, liberto interiormente da autoridade, quites com sua quota de conflito e neurose. A psicanálise postula uma espécie de alienação racional entre os entusiasmos públicos. Freud é cético em relação a todas as ideologias, menos a que tange à vida pessoal.
A psicanálise parece como doutrina do homem “particular” que se defende contra a invasão da esfera “pública”, a preocupação pela esfera “pública” se dá por motivações conscientemente “particulares”. A medida psicológica, para ele, não é perfeição social, é a saúde individual. Há luta individual pelo auto-domínio; a psicanálise é a vitória do ego (consciente) sobre o Id (inconsciente) condição do domínio sobre o ambiente. Dessa maneira, é que a ética darwiniana transporá à psicologia, vai mais além do liberalismo sobrevivendo ao seu declínio.
A liberdade
Para Freud, a liberdade é uma metáfora, só tem existência real do indivíduo, quando entendida como um equilíbrio entre o ego e o superego e o id. A procura de liberdade social, para ele, é uma contradição lógica, entende a liberdade e a tirania como estados psíquicos, na base dela há a “tirania psíquica”, entendida como domínio dos temores e compulsões inconscientes. A psicanálise postula o indivíduo antipolítica que procura a autoperfeição num contexto o mais possível separa da comunidade. Para ele, toda política é sinônimo de corrupção, seja num Estado liberal ou autoritário.
Na medida em que, para ele, a liberdade é um estado psíquico, sua possibilidade de existência se dá em qualquer sociedade. Assim, pode haver escravos livres em Roma Antiga, como cidadãos escravizados na Europa. A Psicanálise com sua ênfase na vida interior e no equilíbrio das três instâncias do psíquico como condição de saúde, questiona os regimes políticos. Dessa maneira, Freud desloca a questão da análise do sistema político, para ele, ela passa pela equação pessoal e pela interrogação de até que ponto o indivíduo deve ser limitado no marco das relações sociais predominantes. Ele é o máximo de consciência possível do ‘ethos liberal’, que tem como base o inconsciente.
Obras consultadasS. Freud. Obras Completas. Trad. Luiz Lopes Ballesteros y De Torres. Ed. Americana, Buenos Ayres, 1943. Volumes: VIII – Totem y Tabu; IX – Psicologia de las massas y analisis del yo; XI – El porvenir de las religiones. Harold Laswell – Power and Personality, 1948.
* Maurício Tragtenberg foi cientista político e professor do Depto. de Ciências Sociais da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
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fevereiro
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Quem sou eu
- Sandro da Costa Rodrigues
- Aprendo a cada dia um pouquinho a mais do que sou, de quem sou, do que sonho, do que amo, de quem amo! Apenas sei que passo a ser o que Sou a cada respiração, a cada meditação, a cada comunhão com todos os seres que comigo partilham a experiência do Mistério, do Existir, do Ser, do descortinar-se e do brindar o viver! É isto: Sou um Brindador da Vida!
